Um olhar que não era meu,
Um olhar diferente do seu.
Uma voz melódica,
Suave,
Agridoce.
Um diferente bom,
Um diferente novo.
Era tudo o que era,
Nada demais.
Um gesto singelo,
Uma pequena afeição.
Nada sério,
Algo fugaz,
Uma distração, talvez,
De fardos tão pesados.
Uma vida costumeira,
Vivida lado a lado.
Preto e branco,
Tudo cinza...
Um raio de luz
Que coloria todo o horizonte,
Entre meus lindos vales,
Repletos de lírios,
Agora banhados em novos tons.
Uma chama acesa
Entre dias tão comuns.
Era só um mero detalhe,
Uma faísca
Resplandecente.
Coloriu meus dias comuns,
Trouxe as cores de volta.
Queria brincar com aquela faísca,
Acender uma chama inteira.
E, nessa chama que acendi,
Vi todo o vale incendiar-se,
Queimando meus lírios,
Destruindo meus lindos vales.
Eu amava aqueles vales...
Mas, por uma faísca,
Eu os incendiei.
E neles vi meus sonhos queimarem,
Minha pele estremecer.
E tudo o que eu era,
Tudo o que as cores eram,
Reduziu-se a pó.
E ao pó
Retornei.
Ingrid Vale