Meu amor, já faz um tempo que não te encontro. Sempre me lembro de ti quando saio na rua acompanhada pela lua. Os sons da rua parecem falar teu nome, os ventos, hoje, gritam saudade, as cores que banham a cidade pintam teu rosto, se formam num quadro. Cada silêncio te traz, cada mensagem te mostra. Não preciso te procurar, você está em mim. Difícil é me desviar.
Ainda me lembro quando tu chegou, quando te tinha e dividíamos o peso que é viver. Tudo se tornava mais leve só por estar com você: alguns minutos, algumas horas. Não sei se por imaturidade ou por sermos quem éramos. De repente, tudo mudou, virou peso, parecia mau tempo e, mesmo assim, não queríamos nos afastar. Mas nos afastamos.
Sempre fui intensa e senti intensamente tua falta. Te procurei, quase te odiei, me odiei, tentei te esquecer, falhei, te procurei, me odiei, chorei. Depois entendi.
Imaturidade a nossa.
Masoquista fui.
Mas não somos culpados.
Pelo menos, não quero colocar pesos.
Eu te amo, sempre te amei. Cada gesto, cada carta que te escrevi são provas, testemunhas que me denunciam. Eu não sei o que o futuro nos guarda, se o pouco que vivemos forma nossa história, o pequeno eterno. Eu sei que te amo e te levo em cada canto.
Faz tempo que não te encontro,
e não me despeço.
Eu te gosto um pouco,
sempre gostei.
Texto autoral