Já te falei como fiquei depois daquele encontro? Como meu corpo reconheceu que algo mudaria. Uma anunciação, dos melhores dias. A arte pura, obra-prima que iria melhorar meus dias.
Eu não sabia, mas logo tudo mudaria. Se fosse pra resumir o que o vento trouxe, seria um furacão. Mas não de bagunça. O furacão que me envolvia era de renovação. Você foi a resposta da minha oração, que eu clamava na calada, todos os dias.
Apenas um breve momento. Foi pelo toque. Pela sua voz. Logo meu corpo reconheceu a dona da morada. A pele fria se aqueceu. O coração entendeu: depois daquele dia, nada seria como antes.
Recalculando a nova rota. Não haveria como ele trabalhar do mesmo jeito. Só pelo toque, pela voz, pelo cheiro. Todo o corpo já sabia, e não era de se negar. O silêncio ganhou sons. Os dias ganharam importância.
Feito ímã, você me puxava sem perceber. Quanto mais eu ficava ali, mais eu queria. Parecia que nunca era suficiente. Meu corpo ganhou sede de você. O medo não tinha espaço, embora sempre me acompanhasse.
Na calada da noite, sem seu toque, seu cheiro, sua voz, ele preenchia o silêncio, sussurrando que seriam poucos dias. Eu adiantei o fim dentro de mim. Vivi cada momento como despedida.
Decorei teu toque. Guardei teu cheiro. Não deixei que fossem levados pelo vento. Sempre segui a filosofia de guardar as boas memórias. Eu as vivi e as guardei.
E desde então, revivo cada instante. Aquela noite me marcou porque tinha você. A marca mais bela da minha história.
Texto autoral