Hoje me mostraram um story seu.
Foi só um vídeo.
Alguns segundos da sua vida.
Você sorrindo, vivendo, parecendo bem.
E eu odeio admitir o quanto aquilo mexeu comigo.
A primeira coisa que senti foi alívio.
Porque, apesar de tudo, ainda existe uma parte de mim que precisa saber que você está bem. Que você está conseguindo viver. Que o mundo não desabou depois de mim.
Eu fiquei feliz por você.
De verdade.
Mas quando o story terminou, ficou aquele silêncio estranho dentro de mim.
E veio uma pergunta que eu preferia não ter pensado:
“Então ela está bem sem mim?”
E doeu.
Não porque eu queira voltar.
Eu não quero.
Se você aparecesse hoje dizendo que existe uma chance para nós, eu ainda escolheria seguir o meu caminho. Não porque o que vivemos tenha sido pequeno, mas justamente porque foi grande demais para fingir que nada mudou.
Só que saber que não quero voltar não impede a saudade.
Não impede aquela pontada de imaginar que talvez você esteja construindo dias bonitos nos quais meu nome já não aparece.
Que outras pessoas estão conhecendo versões suas que um dia eu conheci primeiro.
Que existem risadas suas acontecendo por aí que eu nunca vou ouvir.
E talvez seja isso que mais machuca:
não perder a vontade de ter você,
mas perceber que perdi o lugar onde eu costumava existir na sua vida.
Quando vi você sorrindo, eu não quis que o sorriso acabasse.
Eu só desejei, por um instante, ter sido parte dele.
E isso é cruel.
Porque eu quero que você seja feliz.
Mas existe uma pequena parte de mim — uma parte que eu não tenho orgulho de admitir — que sente falta de quando a sua felicidade também tinha um pouco de mim dentro.
Sinto falta de quando existia um “nós”.
De quando eu podia imaginar seus dias e saber que, em algum momento deles, eu estaria lá.
Hoje eu só posso imaginar.
E talvez nunca saiba o que aconteceu antes daquele sorriso, nem o que aconteceu depois dele.
Talvez aquele story tenha sido só um momento.
Mas foi suficiente para me lembrar que a sua vida continua.
E que eu não estou mais nela.
Eu não quero voltar para você.
Só queria que não doesse tanto descobrir que você consegue sorrir sem mim.
Porque, no fundo, acho que é isso que ainda estou aprendendo a suportar:
amar alguém e, mesmo assim, não fazer mais parte da felicidade dela.
Então eu vou guardar aquele sorriso.
Não como um convite para voltar.
Nem como esperança.
Só como uma última forma de carinho:
ficar feliz por você estar bem,
mesmo que, por alguns minutos depois,
eu tenha precisado ficar sozinho com a saudade de ter sido alguém para você.