Você sempre soube.
Não havia como esconder: estava nos meus olhos, na maneira como eu te escutava, na pressa em responder suas mensagens.
E mesmo assim, você nunca disse nada. Nunca recuou, nunca me deu esperança.
Só existiu ali, no meio do caminho, onde a amizade se confundia com desejo.
Eu tentei fingir que não doía.
Que dava pra te amar em silêncio, pra te desejar sem querer nada em troca.
Mas cada toque distraído seu era um lembrete cruel: eu sentia demais, e você não sentia nada.
O pior é que eu não te culpo.
Você não pediu pra ser o meu quase, o meu delírio de madrugada, o meu segredo favorito.
Ultrapassei limites, e você sempre me dizia:
“Pare com isso, está sendo invasiva.”
Mas eu não me importava; queria você a todo custo.
Esse custo, porém, teve um preço alto demais que eu tive que pagar.
Passei noites em claro, procurando uma resposta, uma direção para tudo aquilo que acontecia.
Veio a ansiedade, e forte.
Quase não conseguia respirar; pensei que talvez pudesse morrer.
Por tudo aquilo que fiz a você.
Ultrapassei limites, de um lugar que nunca deveria ter alcançado.
Errei? Sim, errei.
Mas hoje tenho a consciência de que meu desejo, embora intenso, talvez estivesse te sufocando.
Era um desejo proibido, difícil de alcançar, mas também uma lição sobre limites, respeito e meus próprios sentimentos.