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Teoria n° 05: Dependência Afetiva Não Admitida

hyan_amorim
Pensamento

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Simao

A batata falante com a cara do Augusto fez-me rir alto. O Ariel está mais apanhado do que julga.

A batata falante com a cara do Augusto fez-me rir alto. O Ariel está mais apanhado do que julga.

Conteúdo da publicação

Sábado, 14 de março de 2026

Estou no restaurante e não consigo parar de pensar no Joel. Ele disse que ia parar de me cortejar... Depois de quinze anos, ele finalmente desistiu. Confesso que fiquei com pena dele.

O garçom acabou de chegar e disse que o Joel está aqui, junto com o doutor Prado e o filho dele.

Nossa... é ele. É o gostoso do Augusto Prado. Não acredito que ele está no meu restaurante.

Vou até lá cumprimentá-los e logo percebo que o Joel não quer nem me olhar. Ele nem falou comigo, nem fez uma de suas cantadas cafonas.

Peraí... por que eu estou me preocupando com o fato de ele não me cortejar?

Acho que é a rotina de quinze anos.

Volto para a cozinha e preparo o prato deles.

— Tomara que seja do agrado dele — digo, aflito, enquanto vejo o garçom levar a bandeja.

— Não se preocupe, chefe — diz a subchefe, tocando no meu ombro. — Com certeza, seus dotes culinários estão no mesmo nível do Augusto Prado.

— Tomara — respondo, ainda apreensivo.

Depois de preparar mais alguns pratos, sinto vontade de ir ao banheiro. O da cozinha está ocupado, então resolvo ir ao banheiro dos clientes.

Me aproximo da porta do banheiro e logo escuto a voz do Joel e a do Augusto Prado.

— E por que eu não poderia ser? — diz Joel, confuso. — Sou um doutor de prestígio. Qual é o problema em tirar fotos com pessoas que admiram o meu trabalho?

— Não acredito que alguma mulher consiga te ver como homem — diz Augusto, friamente.

Ouvir isso faz meu sangue ferver. Que cara mais arrogante... Quem ele pensa que é para falar assim com o Joel?

Abro a porta do banheiro e logo vejo os dois.

— Por que você está dizendo isso para o doutor Martins? — pergunto, enquanto me aproximo.

— Eu só estou sendo realista. O doutor Martins estava agindo como uma celebridade — responde Augusto.

— E por que ele não pode ser? — retruco. — O doutor já fez grandes coisas pela física e já deu entrevistas na televisão e em podcasts. Ele é, sim, uma celebridade.

— Pode até ser... mas ele nunca vai fazer sucesso com as mulheres — debocha Augusto. — Meu corpo é perfeito.

— Eu não preciso virar um padrão metido para aquecer o coração de alguém — rebate Joel, incrédulo.

— Não me faça rir. Acha mesmo que, se tivesse uma mulher aqui, ela preferiria sair com você em vez de mim? — diz Augusto, em tom de julgamento. — Chefe Ariel, você é gay, não é? Se tivesse a oportunidade de sair com um de nós dois, quem escolheria? Eu ou o doutor Martins? — acrescenta, me encarando fixamente.

— Você está falando sério? — pergunto, totalmente incrédulo.

— Sim. Então diga... se tivesse a chance, com quem sairia? — insiste Augusto, confiante. — Quem você escolheria?

— Eu gosto de sair com caras padrão, mas não sinto atração por quem se acha melhor do que os outros — digo, firmemente. — Nesse caso, fico com o doutor Martins. Ele é fofo, gentil e, além disso, lindo — acrescento, olhando para Joel.

— Chefe? — diz Joel, com a boca aberta. Ele ficou completamente chocado com a minha resposta.

É mais que óbvio, né? Mesmo eu não sentindo nada pelo Joel, eu preferiria sair com ele a sair com um arrogante como o Augusto.

— Você só deve estar brincando. Só diz isso porque não tem chance comigo — rebate Augusto, incrédulo.

— Pense o que quiser — digo, entrando em uma das cabines. — Agora, licença — acrescento, antes de fechar a porta.

Depois de me aliviar, abro a cabine e vejo apenas Joel. Ele está encostado na pia do banheiro, ainda com a expressão de choque.

— Não acredito que você disse tudo aquilo sobre mim — diz Joel, completamente incrédulo.

— Eu só disse a verdade. Não foi nada demais — respondo, lavando as mãos.

— Eu posso não ser padrão, mas, na sua equação... eu fui a solução — diz Joel, todo bobo.

Não sei por quê, mas ouvir isso faz meu coração aquecer. O quê... como assim?

— O que é isso? — digo, incrédulo, antes de me dar um tapa no rosto.

— Ariel?! — diz Joel, horrorizado, ao me ver me bater.

— Tinha um mosquito no meu rosto — digo, sem jeito, enquanto massageio a bochecha.

— Nossa, que força — diz Joel, chocado, olhando para o local. — Você deu um tapa certeiro, ficou até vermelho — acrescenta, tocando minha bochecha com o dedo indicador.

De repente, meu coração começa a acelerar.

Ah, não... de novo?

— Tira a mão de mim, doutor — digo, me afastando rapidamente.

— Desculpa, Ariel... foi mal. Acabei sendo inconveniente de novo — diz Joel, de cabeça baixa. — Acho melhor eu ir embora — completa, antes de sair apressado.

— O que está acontecendo comigo? — digo, levando a mão ao peito. — Por que meu coração acelera quando o Joel se aproxima?

Respiro fundo, confuso.

— Eu não gosto dele... tenho certeza disso. Então por que acelera? — murmuro, tentando entender.

Domingo, 15 de março de 2026

É de manhã. Acabei de acordar e estou preparando meu café da manhã. De repente, meu celular vibra. Corro para ver.

— Não é o Joel... — digo, frustrado, ao perceber que é apenas uma mensagem do grupo do restaurante.

Já faz um dia que eu o desbloqueei... e ele não mandou nada. Nem uma simples mensagem de "bom dia".

Lembro que, antes, ele me mandava dezenas de mensagens. Todas totalmente cafonas, cheias de declarações de amor.

Dou um leve sorriso só de lembrar.

Eu sou uma pessoa de rotina. Não estou sentindo falta do Joel... é só que fiquei quinze anos acostumado com isso. Esse desconforto deve ser por causa da quebra repentina dessa rotina.

Olho para o lixo e vejo que já está cheio. Coloco tudo em um saco e saio para jogar fora.

Enquanto caminho pelo corredor, dou de cara com Wei e Rafael. Eles me olham com um ar de julgamento.

— Não me olhem assim — digo, sem jeito, enquanto me aproximo. — Eu já me desculpei com o nerd.

— O que você fez com o Joel? — pergunta Rafael, incrédulo, cruzando os braços. — Ele disse que vai passar um tempo sem vir ao nosso apartamento.

— É que ele desistiu de tentar me conquistar — digo, ainda incrédulo.

— Quem diria, né? Quinze anos jogados fora — comenta Wei.

— Você pegou pesado dessa vez — diz Rafael, com um sorriso nostálgico. — Lembro que, quando você começava a namorar, o Joel chorava e dizia que ia seguir em frente... — ele faz uma pausa — Mas, quando você terminava, ele voltava a te paquerar com tudo.

— Eu não quis magoar o Joel... é só que eu não gosto dele desse jeito — digo, com cuidado.

— Espero que ele te supere logo — diz Rafael, preocupado.

— Com um amor que dura há quinze anos? — diz Wei, incrédulo, olhando para Rafael. — Uma coisa eu sei: ele não vai superar esse amor tão cedo.

Depois de colocar o lixo para fora, fui à feira comprar algumas verduras, pois as de casa já tinham acabado. Pego uma sacola e começo a escolher os tomates.

— Confessa logo que está sentindo a minha falta.

De repente, escuto a voz do Joel.

— Joel? — digo, confuso, olhando ao redor, mas não o vejo. — Que estranho... — murmuro, voltando a escolher os tomates.

— E aí, minha estrela da cozinha? — diz o tomate... com o rosto do Joel.

— Isso só pode ser sono — digo, coçando os olhos.

— Confessa que, depois de quinze anos, eu finalmente atingi seu coração — diz o tomate, cheio de si.

— Eu não gosto de você — respondo, firmemente.

— Se manca, doutor.

Escuto a voz do Augusto. Olho para o lado e vejo... uma batata falante, com o rosto dele.

— O chefe Ariel prefere caras como eu! — diz a batata, confiante.

— Eu não gosto de nenhum de vocês! — digo, saindo dali e indo até a área das cebolas.

— Me dá um beijo, Ariel — diz agora uma cebola com o rosto do Joel. — Seja o meu primeiro beijo — completa, fazendo um biquinho.

— AAAAAH! — dou um grito tão alto que todos ao redor me olham.

As pessoas me encaram, desconfiadas.

— Fiquei tão chocado com o preço — digo, sem jeito, pegando uma sacola. — Está muito em conta! Vou levar tudo — acrescento, colocando as cebolas dentro da sacola.

É de noite, e estou no restaurante. Estou na cozinha. Vou até o vidro e dou uma leve espiada... nem sinal do Joel.

Que droga de rotina. O Joel vinha aqui todos os dias para jantar.

O expediente finalmente acaba, e eu libero todos os meus funcionários. Ainda não consigo tirar o Joel da cabeça.

Pego uma bebida da prateleira, sento-me no balcão e começo a beber.

Pego meu celular... nada. Nenhuma mensagem do Joel.

Abro a nossa conversa e, por impulso, ligo para ele.

— E aí, doutor... — digo, bêbado, assim que ele atende.

— Ariel? — diz Joel, incrédulo. — Peraí... você está bêbado?

— Eu não... — respondo, em tom de deboche.

— Onde você está? Está em algum bar? — pergunta Joel, curioso.

— Estou no meu restaurante — digo, firmemente. — Eu resolvi ligar porque você não me liga... e nem me manda mensagem.

— Você está sentindo a minha falta, Ariel? — diz Joel, incrédulo e chocado.

— Eu não! — respondo, ofendido. — É que eu sou uma pessoa que segue uma rotina. Você sumiu de repente.

— Você quebrou minha rotina de quinze anos — acrescento.

— Mas foi você que pediu para eu não te incomodar mais — diz Joel, confuso.

— Eu sei... mas não era para você fazer isso de uma vez — digo, firme. — Você tinha que fazer aos poucos...

Minha voz vai falhando, e acabo deixando a cabeça cair sobre o balcão.

Estou com sono.

De repente, sinto alguém me sacudindo.

— Me deixa dormir... — resmungo, ainda com os olhos fechados.

— Ariel, acorda — escuto a voz do Joel.

Abro os olhos e logo o vejo.

— Olha só... é o doutor — digo, com um sorriso.

— Olha a sua situação — diz Joel, incrédulo, me encarando com julgamento.

— Você tem que voltar a me cortejar — digo, firmemente, enquanto aperto suas bochechas. — Você tem que quebrar essa rotina aos poucos, e não de uma vez.

— Não acredito... então a teoria do impacto emocional é verdade? — diz Joel, chocado, afastando-se.

— Teoria do impacto emocional? — digo, confuso. — Que porcaria é essa?

Joel solta um suspiro nervoso, como se estivesse decidindo o quanto revelar.

— É uma hipótese que eu criei depois do que aconteceu — explica. — Um impacto físico inesperado pode causar uma reação neurológica que desorganiza defesas emocionais já existentes. Não cria sentimentos novos... só traz à superfície o que já estava lá.

Ele me encara com cuidado, quase com medo da minha reação.

— Em termos menos científicos — acrescenta, mais baixo —, é como se aquela bolada tivesse bagunçado o que você vinha fingindo que não sentia.

— Isso... isso não faz o menor sentido — digo, totalmente incrédulo.

— Nem a gravidade fazia sentido antes de alguém cair e perceber que ela existia — responde Joel, com firmeza na voz. — Às vezes, o corpo entende antes da mente.

— O que você fez comigo, seu nerd maldito?! — digo, furioso, enquanto o puxo pela gola da camisa.

— Ariel? — diz Joel, assustado com a minha reação.

— Desfaz isso agora — digo, totalmente frustrado. — Eu não quero sentir essas coisas!

— Não tem como, Ariel — responde Joel, ainda assustado. — A não ser que a gente volte no tempo...

Fico olhando para os lábios do Joel enquanto ele fala. Os lábios dele... agora que percebo, são lindos.

Meu coração acelera.

Sem que eu perceba, me aproximo.

— Não! — digo, horrorizado, me afastando. — Eu devo estar ficando maluco — acrescento, levando a mão à boca.

— Essa foi por pouco — diz Joel, levando a mão ao peito. — Cheguei tão perto de dar meu primeiro beijo — completa, todo bobo.

Meu coração está batendo como um tambor.

— Para com isso! — digo, dando leves tapas no meu próprio peito.

— Ariel, para com isso — diz Joel, assustado, segurando meus braços.

Ele me segura firme. Nossos rostos ficam muito próximos.

Olho para os lábios dele... perigosamente perto.

Não consigo resistir e dou um selinho.

— Ariel... — diz Joel, chocado, se afastando.

— Ops... te dei um beijinho — digo, levando a mão aos lábios.

— Isso não foi um beijo — diz Joel, todo bobo, também tocando os próprios lábios. — Nossos lábios só se encostaram.

Meu coração acelera enquanto olho para seus lábios. Eu quero muito beijá-los.

— Você quer me beijar? — pergunto, com um sorriso malicioso.

— Quero — responde Joel, firme, sem hesitar.

— Então aproveita — digo, fazendo um biquinho.

Joel se aproxima e me puxa para um beijo. Ele me beija com intensidade. Seu beijo é muito bom... ele tem pegada.

— Nossa... — murmuro, surpreso. — Para quem nunca tinha beijado antes...

— Eu treinei no travesseiro... — murmura Joel, ainda me beijando.

De repente, minhas pernas tremem e eu quase caio, mas Joel me segura.

— Eu estou com sono... — digo, sonolento.

— Eu vou te levar até sua casa — diz Joel, me pegando no colo.

Ele me segura com firmeza. Olho para os braços dele — são finos, mas fortes.

Encosto a cabeça em seu ombro... e acabo adormecendo em seus braços.

#romance

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