O tempo passa,
a vida corre,
é uma barra,
falta norte,
falta brisa.
O suor escorre,
na linha da face,
não tem remédio,
nem mesmo exílio,
nenhum lenitivo,
num simples abraço!
Sonha o homem,
ter destino dos mares,
num eterno desaguar.
Não há retorno,
só contornos, quebra mar !
Pressa é inimiga,
perfeição inexiste,
o sufoco é grande,
a corda não rói,
cada vez mais, aperta !
Homem foge,
de si próprio esconde-se,
o encontro é desastroso,
misto de desesero
com pitadas de ilusão.
Todo canto escuro guarda mistérios,
por onde a miseria se esvai.
No lodo da inconsciência.
Consciência é prêmio,
quem a têm é rei!
Melhor não ter rumo,
melhor voar,
menos doloroso o é,
do que aqui pernoitar.
Numa sombra qualquer descansa,
a paz herdeira da esperança,
que nega ao homem afago e o faz morrer na desesperança.
O tempo passa,
Sem dó, sem alternativa,
retalha aos poucos, a alma.
Dilareca o corpo,
a velhice torna precoce,
provoca distúrbios, trombose.
Os homens sem tempo para amar,
que morrem a proporção que passa
o tempo devasso rompendo a massa !