Noite de chuva
Apenas o silêncio das gotas que caem.
O tempo que se foi volta como um fantasma,
mas não pode assustar;
ele compreende que o amor se faz de ilusão.
Como conhecer a rosa e depois ver o espinho?
A rosa seca se torna negra.
Os espinhos sangram a alma,
mas também espetam o dedo.
Sangra como um remédio que dói,
mas que cura.
O recomeço de outro passado não é nem bom, nem pior:
é apenas o reinício de algo que você não sabe,
só precisa viver.
Aprender a viver é superar o medo,
o medo de crescer.
Como a rosa que vem da semente,
ela cresce e, depois da poda,
vem mais bela, mais dura,
sobre o real sentido das pétalas caídas
ou de uma rosa inteira.
Ela supera porque o amor dela é o que se desconhece.
O barulho da chuva de uma cidade perdida,
sem nome no mapa.
Eu aqui, caí na Amazônia,
perdi-me nos barcos, nas flechas.
Os riachos subiram, riachos de índios.
O sol queimou os pés,
queimou histórias.
As memórias são de Tupis perdidos
no luar da lua cheia.
Uivo de lobo.
Apenas me perco nos rios da chuva.
— Ana Cristina Poronhak de Carvalho