O dia nasce.
Uma luz invade o quarto.
Não é o sol,
nem a lâmpada,
é uma pequena janela acesa
na palma da mão.
O dia nasce.
Um toque desperta o silêncio.
Mensagens chegam
como pássaros presos
dentro de uma tela.
O dia vai.
Mais uma vez,
ligo o celular.
Mais uma vez,
vejo rostos sem ouvir suas vozes.
O dia vai.
As pessoas conversam,
mas não se olham.
As palavras atravessam quilômetros,
enquanto quem está ao lado
parece morar do outro lado do mundo.
O dia vai.
A tela aproxima os distantes
e, às vezes,
afasta os presentes.
O dia acaba.
O celular continua acordado,
brilhando no escuro
como uma lua artificial.
O dia acaba.
Não houve cartas,
não houve abraços,
não houve conversas frente a frente.
Só telas acesas,
dedos deslizando,
e pessoas conectadas
sem realmente estarem juntas.
Talvez o celular seja uma ponte?
Mas até pontes podem virar muros
quando esquecemos
de atravessá-las.
Você tem a ponte,
ou só enxerga o muro ?