Eu nunca pensei que casamento fosse simplesmente encontrar alguém para dividir uma casa. Uma casa qualquer pessoa pode dividir. O difícil, para mim, sempre foi encontrar alguém com quem eu quisesse dividir a vida.
Não digo isso porque esteja desesperada para me casar. Na verdade, aprendi que a solidão é muito menos assustadora do que estar acompanhada pela pessoa errada. Depois de tanto tempo sozinha, descobri que não quero alguém apenas para preencher os espaços vazios da minha rotina.
Quero alguém cuja chegada seja esperada.
Quero saber que, ao terminar o dia, existe alguém em algum lugar pensando em mim. Quero poder chegar cansada, contar alguma coisa que aconteceu durante o dia, ouvir uma história qualquer e depois dormir sabendo que aquela pessoa estará ali também amanhã.
Talvez seja isso que eu entenda por casamento: não a obrigação de permanecer, mas a escolha de permanecer.
Não quero alguém para ter sexo, fazer compras, pagar contas e dividir uma cama. Quero alguém para atravessar os anos. Para envelhecer junto. Para estar presente quando os cabelos começarem a ficar brancos, quando o corpo já não acompanhar a vontade e quando as grandes aventuras da juventude forem apenas histórias que repetiremos porque gostamos de ouvi-las novamente.
E não quero qualquer pessoa para isso.
Quero alguém que eu ame e que também me ame. Alguém que tenha liberdade para ir embora, mas encontre motivos para ficar. Alguém que não veja o casamento como uma prisão, mas como uma escolha diária entre duas pessoas que poderiam seguir caminhos diferentes e, ainda assim, preferem caminhar juntas.
Talvez eu esteja escrevendo tudo isso porque algumas pessoas passam pela nossa vida e nos fazem perceber que aquilo que desejamos não é uma casa, uma aliança ou um sobrenome compartilhado.
É companhia.
É pertencimento.
É ter alguém para olhar quando o mundo estiver silencioso e pensar: “É com você que eu quero estar aqui.”
E talvez o casamento que eu imagino não precise começar com uma grande cerimônia. Talvez comece muito antes, quando duas pessoas percebem que, entre todas as possibilidades que a vida oferece, existe uma que parece valer a pena escolher todos os dias.
Ficar.
Juntos.