Pouco se fala sobre as pessoas
que tiveram a sorte de encontrar
o amor verdadeiro de primeira.
Eu não tive.
Meu primeiro amor foi aquele em que eu amei sozinha.
Entreguei o que eu tinha,
esperei o que talvez nunca viesse,
e aprendi, da forma mais bonita e dolorosa,
que amar alguém não faz com que esse alguém
saiba me amar de volta.
Depois veio o segundo.
E, dessa vez, a história se inverteu.
Era ele quem amava.
Quem queria ficar.
Quem sentia.
E eu já não conseguia sentir da mesma maneira.
É estranho pensar que, em duas histórias,
eu conheci os dois lados da mesma dor:
a de querer alguém que não me queria
e a de ser querida por alguém
que eu não conseguia querer.
Talvez por isso eu tenha decidido parar.
Não porque desacreditei do amor.
Mas porque, pela primeira vez,
eu quero conhecer uma coisa que ainda não conheço:
a mim.
Quero saber como é estar sozinha
sem transformar a solidão em espera.
Quero aprender a gostar dos meus domingos,
dos meus silêncios, dos meus planos,
sem precisar imaginar quem estaria ao meu lado.
Quero viver sem procurar alguém
para ocupar o lugar que só eu deveria ocupar.
E talvez, algum dia,
eu tenha a sorte de encontrar alguém
que me ame enquanto eu também amo,
sem excessos de um lado
e faltas do outro.
Um amor que não precise ser perseguido.
Nem implorado.
Nem devolvido por culpa.
Um amor que simplesmente aconteça.
Mas, enquanto ele não chega,
eu quero aprender a ficar.
Porque talvez eu tenha passado tempo demais
tentando descobrir se era amada,
ou tentando aprender a amar alguém.
Agora quero descobrir
como é ser minha própria escolha.
E, quem sabe,
esse seja o amor que eu precisava encontrar primeiro.