As sombras escondidas
nos cantos mais profundos
de minha alma e quarto
gritam.
Berram.
Aliviadas por serem liberadas.
Escondidas sob a luz do dia,
soltas em uma madrugada devastadora.
O quão ruim
é sua simetria?
Os gritos parecem ser
meus próprios pensamentos,
disfarçados de algo demoníaco.
Minha mente é minha prisão
e minha casa,
e eu sempre retorno para casa.
Em madrugadas como essa,
meu corpo assume
um peso vazio nos ombros
e me arrasta para a cama
como um buraco negro.
Suga tudo.
Meus desejos.
Minhas vontades.
Minhas conquistas.
Até mesmo
a motivação
de continuar tentando.
Lençóis emaranhados,
gelados.
O cheiro de suor e medo
paira sobre eles,
enquanto o cobertor,
que deveria ser algo reconfortante,
calorento e seguro,
parece um peso morto
sobre mim.
Gostaria que os gritos
parassem de me ensurdecer.
Pontadas de dor
em minha cabeça
provam
o quão altos soam.
Como calar gritos
que são meus?
O quão perturbador
é sua simetria?
Seria um bode com chifres
ou algo mais enganoso,
como asas?
Asas que simbolizam esperança
e proteção
em meio ao caos
de minha mente assombrada.