Sim sua análise está muito boa. Eu concordo com quase tudo o que você expressou. Mas tem um ponto eu nossas opiniões bifurcam.
O sexo, na minha opinião, não é um ato isolado. Ele é preparado por todo um ciclo que vai culminar no ato sexual em si e depois da satisfação esse ciclo recomeça.
Hoje, em 30 minutos de celular na mão, uma pessoa consome mais pornografia que a geração passada levava a vida toda para consumir. Pornografia prepara para o sexo. Deixa em ponto de bala. Além disso cria fantasia e ilusões. Sexo de verdade não é o que é mostrado na pornografia.
Então, o ciclo sexual, se podemos chamar assim, é iniciado de uma forma egoísta e solitária e sendo assim quando a sua resolução se dá com um parceiro o ato também acaba sendo vazio e solitário, embora haja companhia.
Um grande mestre uma vez usou a expressão "masturbação intravaginal". Isso ficou na minha cabeça. De fato é muito fácil para o homem substituir a mão dele pelo corpo da mulher para conseguir o prazer. Claro que quanto mais bonito for esse corpo, melhor. Talvez daí a relativização. Posições que não privilegiam a dignidade do outro, mas antes reproduzem o ângulo do pornô outrora assistido.
Junto a pandemia de pornografia, tem a disseminação quase totalitária da idéia de que temos o direito a sermos felizes e claro, o sexo é algo que traz felicidade, logo está sendo utilizado como droga recreativa.
Ainda tem outro ponto muito relevante, do ponto de vista das mulheres: mesmo utilizando métodos contraceptivos, sempre há a possibilidade de uma gravidez e elas também são mais suscetíveis às ISTs. Se a relação sexual não é o clímax de uma rotina de antenção, cuidado, carinho e paixão diários, elas sempre vão terminar se sentindo usadas.
Aí é que o casamento entra. Numa relação em que ambos assumem o compromisso de amar, respeitar e ser fiel na saúde e na doença, na alegria e na tristeza na riqueza e na pobreza, até que a morte os separem, o momento da relação sexual é sublime, lindo, prazeroso sem deixar de ser safado e gostoso. O homem sabe que aquele corpo é a alegria dele e que ele morre e vive por aquela mulher. A mulher sabe, que se vier um filho, uma doença ou seja lá o que for, aquele homem vai ficar, cuidar e se dedicar a ela e aos frutos daquele amor. Ela se entrega totalmente. Depois dorme tranquila em seu peito.
O casamento é fundamental. Só nele há possibilidade da real satisfação sexual plena. Onde o cuidado diário, da louça lavada, da frauda trocada, do elogio num momento aleatório, preparam o corpo e a alma do outro para o encontro que celebra aquela relação com o maior prazer que ser humano é capaz de sentir.