Sexo é subestimado por todos. Se fosse tão bom assim, ninguém sairia de casa. As pessoas gostam mais de falar sobre sexo do que de fazer sexo.
Se o orgasmo dura de seis a oito segundos, por que uma dor de cabeça pode durar mais de seis horas? Simples: função. O orgasmo tem uma função que valorizamos muito mais do que a dor de cabeça, mas a dor de cabeça é mais séria: ela pode ser um sinal de que existe algum problema acontecendo no corpo.
Homens e mulheres são iguais nisso. Ambos tentam controlar o desejo, como se ele fosse um contrato. Apegam-se a qualquer forma de afeto. Daí fantasiam com a pessoa que saiu na noite passada, imaginando cenários, palavras não ditas, possibilidades que nunca aconteceram. Ninguém disse nada e ninguém sabe ler a mente de ninguém.
Sufocamos a pessoa que se emprestou por um momento de carência. Ela não firmou nada. Nada foi prometido. Mas o mais sensível se ilude. Depois lamenta, fala mal da pessoa pelas costas e não entende por que ela não quer mais falar com ele. Mas ela nunca prometeu nada.
É como pegar emprestada uma chave de fenda. Pensamos que a pessoa nos deu a chave, quando, na verdade, ela apenas emprestou. E precisamos devolvê-la sem reclamar, porque foi emprestada, não dada. Só que nos iludimos e passamos a querer a caixa de ferramentas inteira.
Intimidade com alguém não é propriedade. Um momento compartilhado não cria uma dívida.
É preciso dizer o que se quer para que o outro possa entender. É preciso perguntar, conversar e estabelecer limites. Homens e mulheres são iguais nisso: alguns conseguem dizer o que querem; outros não conseguem. Alguns entendem o momento pelo que ele foi. Outros transformam um instante em promessa.
E talvez seja aí que esteja o problema: confundimos o que aconteceu com aquilo que gostaríamos que tivesse acontecido.