Capítulo 1: Um dia para esquecer
Um dia ensolarado, do nada, e uma mala cheia de roupas de inverno em uma viagem para um lugar onde fazia frio 360 dias por ano. Foi assim que começou o meu dia, aquele que eu gostaria de esquecer.
Pouco dinheiro para recomeçar em um lugar onde eu mal falava o idioma e não conhecia ninguém que pudesse me ajudar. Por outro lado, havia um sonho: estar ali e viver tudo o que aquele país tinha a oferecer, mesmo que, naquele momento, eu não tivesse quase nada para oferecer em troca.
Depois de passar o dia inteiro entrando e saindo de restaurantes e clubes à procura de algum subemprego, tudo o que encontrei foram caras feias e uma infinidade de desculpas. Como se as coisas já não pudessem piorar, começou a chover.
E, ao contrário do que você talvez esteja pensando agora, não, ninguém apareceu com um guarda-chuva amarelo que se abre no meio do nada, fazendo o tempo congelar como acontece nos doramas.
Fiquei uns vinte minutos esperando a chuva passar, mas, como ela parecia não ter a menor intenção de ir embora, precisei enfrentá-la. E lá estava eu, usando minha roupa de verão, que tinha acabado de comprar por causa do calor daquela manhã.
A mistura do vento gelado com as gotas de chuva atingindo meu corpo parecia uma sequência de pedradas. Doía, mas nada era pior do que a sensação de estar voltando para casa sem fazer a menor ideia do que faria no dia seguinte.
Eu já tinha percorrido praticamente todo o bairro à procura de uma vaga de emprego, mas nada havia aparecido no meu radar. Pelo menos, o aluguel estava pago por mais um mês, então não precisava me preocupar com o lugar onde iria dormir. Mesmo sabendo que um mês passa voando, preferi deixar essa preocupação para depois.
No caminho de volta, quando faltavam apenas uns dez minutos para chegar em casa, a chuva finalmente parou. Acima da minha cabeça, um lindo céu estrelado se abriu, como se quisesse compensar um pouquinho o desastre daquele dia.
Olhei para cima e avistei um enorme outdoor com um nome em destaque: YOON BIN.
Havia algumas frases escritas logo abaixo, mas eu não consegui — e, para ser sincera, nem tive interesse em tentar — decifrá-las naquele momento.
Ainda assim, por algum motivo estranho e difícil de explicar, aquele nome me trouxe uma sensação de paz. Era como se alguma coisa dentro de mim sussurrasse que tudo acabaria dando certo.
Quando desviei os olhos do céu e voltei a olhar para a minha frente, uma bicicleta em alta velocidade surgiu do nada, vindo diretamente na minha direção.
Não tive tempo de reagir.
Caí no chão e, antes de apagar completamente, só consegui pensar em uma coisa:
Será mesmo que tudo vai ficar bem?