Ela o olhou de cima da borda da sacada, o vento da noite bagunçando o cabelo ainda úmido, e sorriu com aquele jeito que ele já começava a reconhecer — metade provocação, metade pergunta.
— Você fez isso de propósito — disse ela.
— Fiz o quê?
— Me trouxe para a sacada. Me colocou aqui em cima. Agora eu tô presa entre você e o vazio.
Ele riu, mas não se afastou. As mãos dele continuavam firmes na cintura dela, os polegares desenhando círculos lentos sobre o tecido do roupão. O roupão estava aberto o suficiente para ele sentir a pele quente dela contra os dedos, e ele deslizou uma mão para dentro do tecido, subindo pelas costas dela, sentindo a curva da coluna, até parar na nuca.
— Você não parece nem um pouco presa — ele disse, a voz mais grave.
— É porque eu não sou. — Ela inclinou o corpo para frente, os lábios quase tocando os dele. — Mas você gosta de pensar que é.
Ele não respondeu com palavras. A mão na nuca dela o puxou para o beijo, e não foi um beijo suave. Foi um beijo de língua, molhado, os dois se pegando com vontade, e ela abriu o roupão dele com as duas mãos, empurrando o tecido pelos ombros, sentindo o peito dele contra o dela. Ele soltou um som baixo na boca dela quando ela passou as unhas pelo peito dele, descendo até a barriga.
— Aqui fora não — ele sussurrou, ofegante, mas já estava rindo.
— Por que não?
— Porque eu não vou te comer numa sacada de hotel com a cidade inteira olhando.
Ela riu, um riso curto e quente, e o puxou pela mão para dentro do quarto. Ele fechou a porta da sacada com o pé.
Ela parou no meio do quarto, de frente para ele, e deixou o roupão cair no chão. Ficou nua, ainda com a pele úmida do banho, o cabelo molhado colado no pescoço, os seios à mostra, a cintura estreita, as pernas longas. Ele olhou para ela inteira, sem pressa, e ela sustentou o olhar dele, o queixo erguido.
— Você é linda — ele disse, e a voz saiu mais baixa do que ele esperava.
— Eu sei — ela respondeu, e deu um passo na direção dele.
Ela tirou o roupão dele também, com as duas mãos, e o pau dele já estava duro, saltando quando o tecido saiu. Ela olhou para baixo, mordeu o lábio, e passou a mão em volta dele, sentindo o peso, o calor, a pele lisa. Ele fechou os olhos e deixou escapar um gemido.
— Deita — ela disse.
Ele obedeceu. Deitou na cama, apoiado nos cotovelos, e ela subiu sobre ele, os joelhos dos dois lados do quadril dele, e o beijou de novo, a boca dela descendo pelo pescoço, pelo peito, pela barriga, até ela se ajoelhar entre as pernas dele. Ela pegou o pau dele na mão, deu uma lambida na cabeça, e depois o engoliu devagar, até o fundo, os olhos fechados, a boca quente e molhada.
Ele gemeu alto, os dedos enroscados no cabelo dela, e ela continuou, chupando com vontade, a mão acompanhando a boca, a língua passando por baixo. Ele tentou avisar, mas ela não parou, e ele gozou na boca dela, o corpo inteiro tremendo, e ela engoliu tudo, lambendo os lábios depois, um sorriso safado no rosto.
— Você é perigosa — ele disse, sem ar.
— Você não faz ideia — ela respondeu, e subiu de novo, sentando sobre ele, esfregando a buceta molhada contra o pau dele, que já começava a endurecer de novo.
Ele passou a mão entre as pernas dela, sentindo o quanto ela estava molhada, e enfiou dois dedos, e ela gemeu, jogando a cabeça para trás. Ele bombeou os dedos dentro dela, o polegar no clitóris, e ela começou a rebolar, a boca aberta, os seios balançando.
— Para — ela disse. — Para, eu quero você.
Ele tirou os dedos, e ela se ajeitou sobre ele, e ele entrou devagar, os dois gemendo juntos quando ele a preencheu inteira. Ela começou a se mover, primeiro devagar, depois mais rápido, as mãos apoiadas no peito dele, os quadris subindo e descendo, e ele agarrou a bunda dela com as duas mãos, ajudando no ritmo.
— Porra — ele sussurrou. — Como você é gostosa.
Ela respondeu com um gemido mais alto, e ele mudou o ritmo, metendo fundo, e ela gritou, e ele virou ela na cama, ficando por cima, sem sair de dentro dela, e começou a meter com força, segurando os pulsos dela acima da cabeça, a cama batendo na parede.
Ela gozou primeiro, o corpo dela se arqueando, a buceta apertando o pau dele, e ele aguentou o máximo que pôde antes de gozar também, fundo, gemendo contra o pescoço dela, os dois ofegantes, suados, o coração batendo rápido.
Ele saiu de dentro dela devagar e deitou ao lado, puxando-a para perto. Ela encostou a cabeça no peito dele, ainda sem fôlego.
— A comida vai esfriar — ela disse.
— Foda-se a comida.
Ela riu, e o riso era diferente dos outros — menos provocador, mais verdadeiro. Ele percebeu, e guardou aquele riso como quem guarda o primeiro raio de sol depois de uma semana de chuva.
— Você vai me ligar amanhã? — ela perguntou, a voz já arrastada.
— Eu ia perguntar se você ia atender.
— Vou.
— Então eu vou ligar.
E dormiram assim, nus, entrelaçados, com a cidade acesa lá fora e a promessa de um amanhã que nenhum dos dois tinha planejado, mas que, pela primeira vez em muito tempo, parecia exatamente o que queriam.