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Capítulo 49: O Despertar da Rainha

BELADIA

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livro (trinta dias para a última lua)

Hadria segurou a respiração. Em vez de lutar contra a dor que a quebrava por dentro e pulverizava seus ossos, ela a acolheu. Fechou os olhos com força, e uma única lágrima negra, espessa como o anoitecer, escorreu por seu rosto cortado.

Com uma força descomunal, ela tencionou os músculos e, usando o próprio poder, puxou de volta as cordas místicas que os generais tensionavam. Um grito de dor absoluta, gutural e rasgante escapou de seus lábios.

— Da escuridão eu vim, e para a escuridão eu retornarei! — gritou a garota.

Um vórtice negro ergueu-se de seus pés, subindo violentamente pelas cordas mágicas que a prendiam. Os generais do Sul cerraram os dentes, injetando ainda mais poder para tentar subjugá-la, mas cometeram um erro fatal: Hadria não era apenas uma Bruxa Negra. O sangue dos Bruxos da Luz também corria em suas veias. Quanto mais energia os generais usavam, mais a força mágica da luz era absorvida e se acumulava dentro dela.

O vórtice de trevas colidiu com a magia clara, projetando uma luz branca e cegante que rodopiou em volta de Hadria. A luz e a sombra fundiram-se em uma tempestade violenta, e as amarras começaram a trincar. Com uma explosão ensurdecedora, as cordas mágicas se estilhaçaram.

Hadria caiu com um dos joelhos no chão, arfando. A onda de choque arremessou os quinze generais de costas contra o piso de mármore. Eles se levantaram rapidamente, assumindo posturas de combate, mas o mundo lá fora já havia mudado.

No céu além do salão, os dragões que haviam trazido a comitiva da usurpadora sentiram que a verdadeira Rainha estava em perigo. Rompendo suas correntes de obediência, iniciaram um voo tático e sincronizado, banhando os soldados do Sul em chamas. E o chamado pelo sangue viajou longe: nas profundezas do Ninho e nos picos gelados do reino de Ônix, milhares de feras alçaram voo simultaneamente, rasgando as nuvens em uma revoada maciça com um único destino: o Reino do Sul.

No centro da cúpula, Hadria ergueu-se.

Seus cabelos alvos flutuavam ao redor do rosto, desafiando a gravidade. Uma aura densa de luz branca emanava de sua pele, enquanto feixes de escuridão pura serpenteavam ao redor dessa claridade como cobras protetoras. Os olhos negros e impenetráveis da garota cravaram-se no Rei, que a observava completamente paralisado pelo choque. Ele via, diante de si, a herdeira implacável de Aylla empunhando a magia dos dois mundos.

— Queimem todo o Reino do Sul — ordenou a menina.

Nesse exato instante, um espelho na extremidade do salão rachou, abrindo um vórtice escuro. Dois olhos dourados e fendidos brilharam na escuridão além do portal.

Uma nuvem de fumaça negra e violenta irrompeu pela cúpula. A sombra expandiu-se no ar, moldando-se na forma majestosa e gigante de um dragão feito de trevas e magia antiga. A fera metamórfica abriu as mandíbulas sombrias e soltou um rugido tão ensurdecedor que os grandes cristais e vitrais da cúpula se estilhaçaram instantaneamente, chovendo como navalhas transparentes sobre o mármore.

Todos recuaram, perplexos e aterrorizados com o que estavam testemunhando. Atrás do Rei — que não sabia como reagir —, a Rainha do Sul acompanhava cada movimento, calculando o peso daquele pesadelo.

O dragão de fumaça rodopiou em uma espiral fulminante, mergulhando na direção de Hadria. Assim que tocou o chão ao lado dela, a escuridão se condensou de forma graciosa e mortífera, revelando a forma humana de Luiz.

O garoto se ergueu. Seus olhos queimavam em um amarelo-ouro vibrante, rasgados por fendas reptilianas antigas, e de suas mãos pendiam garras idênticas às das Bruxas Negras. Ele se posicionou ombro a ombro com a garota, servindo como seu escudo e sua espada.

E, no santuário silencioso de sua própria mente, Hadria ouviu a voz dele ecoar, grave e reconfortante:

Hadria.

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