Sem ponto final
Mais um dia,
mais uma crise.
E eu continuo perguntando:
por quê?
Por que essa agonia
que não me deixa em paz?
Por que essa pressa de resolver tudo hoje,
como se a minha vida dependesse
de encontrar todas as respostas antes de dormir?
Eu já tentei.
Juro que tentei.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance,
mas parece que, quanto mais eu tento organizar a vida,
mais ela se desmonta diante de mim.
E eu só queria descansar.
Descansar a mente
desse barulho que não desliga.
Descansar o corpo
desse peso que ele carrega sem reclamar.
Respirar
sem sentir que até o ar
precisa ser conquistado.
Há três, quatro meses
eu vivo dentro de uma crise que parece não ter fim.
Como se alguém tivesse pegado o roteiro da minha vida,
amassado,
rasgado,
e escrito outra história por cima.
E eu fico aqui,
repetindo para mim mesma:
O que eu faço?
O que eu faço?
O que eu faço?
Mas até as coisas que antes me faziam bem
perderam a cor.
Eu faço,
mas não sinto.
Levanto,
mas não tenho vontade.
Continuo,
mas não sei exatamente para onde.
E isso me consome.
Porque eu só queria um pouco de silêncio
dentro da minha própria cabeça.
Só queria conseguir fechar os olhos
sem precisar lutar contra os pensamentos.
Só queria, por algumas horas,
não precisar resolver a minha vida.
E quando parece que já existe coisa demais
para carregar,
ainda existe você.
Essa pessoa que eu queria arrancar da minha cabeça,
mas que continua aparecendo
nos espaços onde eu mais precisava de paz.
Porque não houve despedida.
Não houve explicação.
Não houve um ponto final.
Só uma história interrompida
que deixou perguntas demais
para um coração que já estava cansado.
E talvez seja isso que mais doa:
eu já tenho tanta coisa para enfrentar,
tantas partes de mim tentando sobreviver ao caos,
e ainda preciso aprender
a conviver com a saudade
de alguém que nem sei mais
se deveria estar na minha vida.
Eu não sei o que fazer.
Não sei como desligar a mente.
Não sei como deixar de sentir.
Não sei como parar de procurar respostas
onde talvez nunca exista uma.
Mas hoje,
pela primeira vez,
talvez eu não precise resolver tudo.
Talvez eu só precise respirar.
Um minuto.
Depois outro.
E outro.
Até lembrar que eu não preciso
ter todas as respostas hoje.
Porque talvez sobreviver a esse dia
já seja suficiente.
E amanhã...
amanhã eu tento de novo.