Eu sempre olhei para a frase “caí nas suas garras” de forma negativa, tal como uma presa, literalmente. Na minha inocente visão, o outro soava predador, e o poeta, uma presa.
Logo eu, que caí em sua dança. Seguindo passo a passo o som dos passos, de lá pra cá. Pouco olhávamos um para o outro; ambos com uma carga elevada de baixa auto estima e traumas infantis.
E assim eu fui, como o navegante da lenda alemã, a ver meus navios colidindo com as rochas do Rio Reno, enquanto você tranquilamente penteava seus longos cabelos.
Fixei meus olhos em seu rosto: Ela é feia, de traços bonitos. Ela é bonita, com detalhes assimétricos. Ela é triste, também.
Mas ela dança enquanto penteia os cabelos.
E eu caí, não em suas garras. Ela estava lá, no alto da pedra.
Eu caí em seu canto, em seu pentear os cabelos. Em sua dança do dia a dia.
Acidentei-me, sem ela ter dito um único “a”.