Denso.
Retratos e Retratações
Pensamento
Denso.
Conteúdo da publicação
Hoje é dia de fazer algo
Pela primeira vez
O silêncio revela do alto
Caminhos inefáveis
Confie: você está
Onde precisamente precisa estar
Com a colheita de guimbas
Ao longo do dia
Um menor abandonado
Confecciona um cigarro
Faces cansadas na fila
Frases causadas da fala
Engajamento na anestesia
Paraíso de plástico
Paraíso da hipocrisia
Do trágico elástico
Paraíso dos infelizes
De cujo elenco
Eu era membro
As armas estão no ar
Ainda me lembro
De como voltava
Ondulante do mar
Ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha....
Sonho como se fosse amanhã
Eu tirava, com a minha irmã,
A pele descascada de papai
A memória é um ímã
Barca lotada
Passageiros de pé
Ponte engarrafada
E na tevê o show da fé
Noites
Pedras
Poesias
Cadê elas?
Onde ficam?
Por onde andam?
Almas lacradas na apatia
Eu gostava daquela banda
Mas o exímio guitarrista
É desafinadamente antivacina
Os retratos não podem ver
Contudo pelo que sei
As retratações têm
A possibilidade de rever
As pistas largas
Da Avenida Presidente Vargas
Foram lavadas
Com água, sabão e prudência
Para a remoção das obras equinas
Após o desfile da independência
Um mendigo da Avenida Rio Branco
Em frente a um banco
Ouve um hip-hop
Bebe um milk-shake do Bob's
E pita um cigarro de Jah
Ao lado do seu fiel cão sem horizonte
E da placa, onde se lê fome
Em inglês, em espanhol e no olhar.
Thoughts
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PermalinkA Avenida Presidente Vargas lavada com água, sabão e prudência pra limpar as obras equinas... eu sou do Porto mas entendo essa limpeza de rua de verdade.
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PermalinkTchello, você tem um olho raro aqui. Aquele mendigo com o cão sem horizonte, aquela placa em três línguas... é beleza em quem ninguém vê. Que escrito bonito.
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PermalinkEssa história de conhecer a banda mas o guitarrista ser assim... é a vida. A gente vai perder mais pessoas assim que a gente gostava, descobrindo coisas.
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PermalinkDenso.
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PermalinkVocê fez uma coisa interessante ali ao falar de retratos que não podem ver e retratações que podem rever. Faz a gente pensar em como a gente muda de ideia sobre pessoas que a gente conheceu.
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PermalinkGostei dessa coisa de a memória ser um ímã! Puxa tudo de volta.
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PermalinkA forma como você pulou de imagem em imagem, tipo estar andando na rua mesmo. Confuso e clarividente ao mesmo tempo.
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PermalinkO mendigo e o cão. Isso fica.
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PermalinkAquela parte com o mendigo na Avenida Rio Branco, ouvindo hip-hop, bebendo milkshake... eu vejo isso aqui em Porto Velho todo dia. Você pegou certo.
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