Pular para o conteúdo
Carregando…

Rastreadores - Capítulo 9 - Sala Desconhecida

Csm_martins

Conteúdo da publicação

Olá, pessoal! 👀 Um novo capítulo está chegando, e talvez ele traga mais perguntas do que respostas... 👁️‍🗨️

Leiam com atenção, fiquem de olho nos detalhes e depois me contem nos comentários: o que vocês acham que realmente está acontecendo? Quero saber suas teorias e suspeitas! 🔎🖤

Boa leitura! E lembrem-se: nem tudo é o que parece... ✨

— O que aconteceu depois que entraram na Sala Desconhecida?

A voz de Emili ecoou na mente de Danilo, fazendo-o perceber que havia passado algum tempo imerso em suas lembranças. A expressão dela não revelava apenas curiosidade; Emili parecia ansiosa, talvez até temerosa diante do que Danilo poderia contar sobre Suzane. Algo que ele sabia que Cecil jamais revelaria a ela.

Observou que não apenas Emili, mas também Tom, Marcos e Pamela estavam concentrados nele. Tom já havia pegado seu notebook para registrar tudo o que Danilo dissesse, como um escrivão durante uma audiência. De tempos em tempos, erguia os olhos da tela, atento a qualquer detalhe que pudesse ter deixado passar. Era como se Danilo fosse um réu que precisasse confessar um crime.

Era assim que se sentia naquele momento.

Enfim, aquele dia havia chegado. O dia em que contaria o que acontecera naquela ocasião. Um assunto sobre o qual nunca havia conversado com ninguém, já que Cecil se recusava a mencioná-lo e Marcelo ainda estava dormindo.

Mas agora seu amigo estava ali, ao seu lado, com aquela expressão confusa de sempre. A mesma que vinha exibindo desde que suas lembranças haviam retornado. Uma expressão que Danilo voltava a ver depois de tantos anos.

Cecil, por sua vez, havia se recusado a participar.

É claro que ela sairia pela porta sem dizer uma palavra, mesmo quando Emili tentou impedi-la.

Danilo olhou ao redor, sem responder a Emili de imediato. Seu olhar se deteve no caderno de anotações de Cecil e Suzane, que estava sob a mesa. A capa exibia uma sequência de imagens que retratavam a metamorfose de uma borboleta. Suzane havia dito que era assim que se sentia, como se sua própria transformação estivesse em curso.

As duas costumavam registrar e colar no caderno tudo o que descobriam sobre a Sala naquela época. Ainda não tinham muitas informações, mas adoravam recorrer a ele sempre que surgia alguma dúvida, fazendo novas anotações.

Havia tantas perguntas ainda sem resposta. Como o fato de a Sala Desconhecida ter aparecido justamente a poucos quilômetros de onde estavam. Eles já haviam combinado que, assim que informassem ao cliente a localização da Sala e recebessem o pagamento pelo trabalho, comprariam as passagens e partiriam para onde quer que ela surgisse. Mas, em vez disso, a Sala havia aparecido ali, tão perto deles.

Aquele deveria ter sido mais um dos sinais que ignoraram.

Danilo voltou-se para Emili. Ela ainda aguardava uma resposta, com os dedos apoiados sobre a pasta de anotações. Ao perceber que ele finalmente estava pronto para falar, endireitou a postura.

— Assim que chegamos, instalei uma câmera na entrada para ver quem entrava, já que tínhamos chegado primeiro. Mas a interferência da Sala era tão forte que não dava para enxergar nada lá dentro.

Emili começou a folhear alguns papéis guardados dentro de uma pasta sanfonada. Pelo que Danilo conseguiu perceber, ela tentava alinhar a linha do tempo do grupo à dos outros que já haviam relatado suas experiências.

Ela parou em uma das folhas, comparou algumas anotações e tornou a folheá-las. Parecia empenhada em não deixar escapar nenhum detalhe, por menor que fosse.

Danilo não conseguia entender por que ela fazia tanta questão de registrar tudo. Não era como se pudessem mudar alguma coisa depois de tudo já ter acontecido.

— Quando passamos por aquela porta de madeira, foi como se tivéssemos sido puxados para outro lugar. Nada lá dentro tinha a ver com o que havia do lado de fora.

Danilo se lembrava de que, do lado de fora, a Sala parecia um posto de combustível abandonado.

Eles até questionaram Marcelo quando chegaram, mas o olhar do amigo indicava que ele nunca se enganava quanto a um lugar.

— A Sala era enorme, com um formato circular e, no mínimo, quatorze portas distribuídas ao redor.

Emili voltou a anotar alguma coisa, enquanto Tom digitava no notebook. Marcelo, por sua vez, permanecia ao lado de Danilo, absorvendo cada detalhe do que ele dizia.

Danilo ainda não tinha dimensão de quanto Marcelo já havia conseguido se lembrar. O amigo estava atento a cada palavra, mas aquela postura silenciosa não lhe permitia distinguir o que de fato já havia recuperado da memória.

Danilo não sabia se deveria perguntar o que estava acontecendo ou simplesmente continuar.

Optou pela segunda alternativa.

— Quando chegamos ao centro da Sala, Suzane e Otávio ainda estavam maravilhados com o que viam. Foi então que começaram a sentir os braços arderem.

Emili parou de escrever.

Seus dedos permaneceram suspensos sobre a folha por alguns instantes, até que ela voltou a segurá-la com mais firmeza. Danilo percebeu o movimento, mas não interrompeu o relato. Marcos também havia mudado de postura. Antes recostado na cadeira, agora se inclinava ligeiramente para a frente, atento ao que viria a seguir.

— E o que era? — perguntou Marcos.

— Cecil foi olhar de perto e percebeu que os dois tinham um símbolo gravado no braço direito.

— Um símbolo? — Emili interveio, demonstrando interesse.

Ela ergueu os olhos dos papéis, e Danilo notou que sua expressão havia mudado. Já não parecia apenas interessada em organizar os acontecimentos; havia uma preocupação que ela tentava disfarçar por trás da pergunta.

— Sim. Um dos símbolos espalhados pela Sala estava gravado nos braços deles, como uma tatuagem.

Danilo se levantou, pegou um lápis na mochila e começou a desenhar em uma folha de papel o símbolo que Suzane e Otávio tinham nos braços. Era como uma meia-lua, com as pontas deformadas.

Quando terminou, estendeu o papel a Emili.

Ela o pegou sem dizer nada e ficou encarando a figura por alguns instantes. Primeiro, aproximou a folha do rosto. Depois, afastou-a um pouco, como se mudar o ângulo pudesse ajudá-la a reconhecer alguma coisa. Seus olhos percorreram os contornos irregulares do desenho, mas ela não fez nenhuma pergunta.

Tom interrompeu a digitação para observar a figura por cima do ombro dela.

— Mas o que era aquilo? — Emili perguntou, por fim.

— Não sabemos. Cecil achou melhor a gente voltar, mas Suzane estava empolgada. Ela acreditava que aquela marca podia lhe dar alguma habilidade, e Otávio também ficou animado com a ideia.

Marcos desviou o olhar para a mesa e passou a mão pela nuca. O gesto foi breve, mas Danilo percebeu que ele já não parecia tão confortável quanto antes. Quando voltou a encará-lo, havia uma tensão em sua expressão que não estava ali no início do relato.

Emili também parecia incomodada. Ela deixou o desenho sobre a mesa, mas não voltou a escrever imediatamente. Por alguns segundos, os dois permaneceram em silêncio, e Danilo teve a impressão de que a menção aos nomes de Suzane e Otávio havia despertado alguma coisa que nenhum deles estava disposto a comentar.

— E o que fizeram então? — perguntou Pamela, que, até aquele momento, havia permanecido apenas como ouvinte.

Sua intervenção fez com que Danilo voltasse a atenção para o relato. Pamela lançou um olhar rápido para Marcos e Emili antes de se voltar novamente para ele, como se percebesse que a conversa estava prestes a se desviar para algo que nenhum deles conseguiria esclarecer naquele momento.

Danilo prosseguiu:

— Como não havia mais nada para explorar naquele salão, decidimos ir até uma das portas. Suzane foi quem escolheu por qual começar.

Enquanto falava, lembrou-se da maneira como Suzane havia reagido à sugestão de Cecil de que deveriam voltar. A voz dela se alterara, e havia uma firmeza incomum em sua resposta antes de seguir em direção a uma das portas.

Danilo não pretendia mencionar que Suzane havia se recusado a sair da Sala. Na época, não dera muita importância àquilo. Estavam todos impressionados com o que tinham encontrado e preocupados com os símbolos nos braços dos amigos. Agora, porém, a lembrança o incomodava.

Talvez o comportamento de Suzane já fosse um sinal de que alguma coisa havia mudado.

— Qual sala? — perguntou Emili. — Era a mais próxima da entrada ou ficava em outro lugar?

Danilo hesitou.

— Não me lembro.

A resposta pareceu frustrá-la. Emili baixou os olhos para as anotações e passou a ponta do lápis sobre uma das linhas, sem escrever. Danilo percebeu que ela estava tentando conciliar sua resposta com o restante das informações, mas não havia muito que pudesse fazer para ajudá-la.

Ele, porém, sabia qual porta Suzane havia escolhido, a mesma que trazia o símbolo gravado no braço de Suzane. Não podia afirmar se ela a havia escolhido de propósito, se tudo não passava de uma coincidência ou se a própria Sala havia interferido naquela decisão.

Na época, nenhum deles havia dado a devida importância àquilo. Agora, a lembrança deixava uma dúvida incômoda: até que ponto as escolhas feitas lá dentro realmente pertenciam a eles?

Danilo observou Emili por alguns instantes. Se ela fosse com eles até a Sala, poderia muito bem querer entrar justamente naquela que Suzane havia escolhido. Só de imaginar essa possibilidade, sentiu um incômodo crescer dentro de si.

Aquilo seria uma péssima ideia, e ele não estava disposto a descobrir o que poderia acontecer caso Emili resolvesse seguir o mesmo caminho.

— Entendo — comentou Emili, pensativa. — Achei que você fosse o mais detalhista dos três.

Danilo ergueu ligeiramente as sobrancelhas.

— Desculpe decepcioná-la, mas essa parte fica por conta da Cecil.

Emili torceu o rosto, claramente insatisfeita com a resposta. Seus olhos permaneceram fixos em Danilo por alguns instantes, como se esperasse que ele reconsiderasse o que acabara de dizer e lhe oferecesse algo mais concreto.

Quando percebeu que isso não aconteceria, desviou o olhar e voltou a organizar os papéis. Alinhou duas folhas, tornou a separá-las e, por fim, deixou o lápis sobre a mesa com um pouco mais de força do que pretendia.

— O que aconteceu depois? — perguntou Pamela mais uma vez.

Dessa vez, a pergunta veio acompanhada de um olhar dirigido a Emili, que pareceu entender a intenção da amiga. Ela não insistiu no assunto, embora sua expressão deixasse claro que ainda não estava satisfeita.

Danilo agradeceu silenciosamente pela intervenção e retomou o relato.

— A porta nos levou a uma sala bem menor que o salão principal. Não havia nada lá dentro, só outras cinco portas ao redor, cada uma marcada com um símbolo.

Marcelo o encarou como se quisesse perguntar alguma coisa, mas acabou desistindo. Seus olhos se demoraram no rosto de Danilo por alguns instantes, até que ele desviou a atenção para a mesa.

— Era como se houvesse uma porta para cada um de nós.

Danilo parou.

A partir dali, tudo ficaria confuso, pois nem ele mesmo entendia os eventos que se seguiram.

Tom retirou as mãos do teclado e esperou. Emili também permaneceu em silêncio, embora seus dedos voltassem a se mover sobre a folha, como se precisasse se ocupar com alguma coisa enquanto aguardava.

— A porta se fechou sozinha atrás da gente. Marcelo se virou para tentar abri-la, mas, de repente, sentimos uma tontura forte e acabamos desmaiando.

Tom voltou a digitar, mas, dessa vez, mais devagar. Quando Danilo fez uma pausa, ele ergueu os olhos.

— Você se lembra se a tontura começou ao mesmo tempo para todos? — perguntou.

Danilo pensou por alguns instantes.

— Pelo que me lembro, sim. Mas não posso afirmar que tenha acontecido exatamente ao mesmo tempo.

Tom assentiu e voltou ao notebook, registrando a ressalva.

Um silêncio carregado de tensão tomou conta do cômodo. Ninguém parecia disposto a interromper o relato novamente.

Danilo continuou:

— Não sei quanto tempo ficamos desacordados, mas, quando recobrei a consciência, vi Cecil e Marcelo encarando Suzane e Otávio.

— Por quê? — Emili perguntou, inclinando-se para a frente.

— Eles estavam agindo de um jeito estranho, falando sozinhos, como se tivesse alguém bem na frente deles. Só que nada do que diziam fazia sentido.

O papel que Emili segurava escorregou de seus dedos e caiu no chão.

Ela não se abaixou para pegá-lo. Permaneceu imóvel, olhando para Danilo, enquanto a cor desaparecia de seu rosto. Marcos, ao lado dela, apertou os braços da cadeira e desviou os olhos por um instante.

Danilo fez menção de se levantar para recolher a folha, mas Emili ergueu a mão, pedindo que continuasse. O gesto foi tão rápido que ele voltou a se acomodar sem dizer nada.

Ninguém pronunciou uma palavra.

— Suzane foi direto para uma das portas, mas Cecil conseguiu agarrá-la pelo braço antes que ela a abrisse. No instante seguinte, foi arremessado para trás, bateu com força contra a parede e caiu no chão.

Marcelo, que até então permanecia parado como uma estátua, apenas ouvindo Danilo, caminhou até a janela, levando as mãos à cabeça.

Ele ficou ali por alguns instantes, de costas para os demais. Danilo interrompeu o relato, acompanhando-o com o olhar. Não sabia o que havia provocado aquela reação, mas a possibilidade de que Marcelo estivesse se lembrando de alguma coisa passou por sua cabeça.

Ainda assim, não perguntou.

Depois de alguns segundos, Danilo voltou a falar:

— Marcelo e eu corremos para socorrer Cecil, mas, quando olhamos em volta, Suzane e Otávio tinham sumido.

Marcelo abaixou lentamente as mãos. Não voltou para perto de Danilo, mas também não permaneceu junto à janela. Ficou parado, olhando para o chão, enquanto tentava acompanhar o restante do relato.

Marcos começou a balançar a cabeça, como se não conseguisse aceitar o que estava ouvindo. Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas desistiu antes de pronunciar uma palavra.

Pamela percebeu o movimento e segurou sua mão. Ele olhou brevemente para ela, apertou seus dedos e voltou a atenção para Danilo.

Aquele gesto fez Danilo se sentir ainda pior por ter de contar tudo aquilo.

Era a primeira vez que Marcos e Emili ouviam o que havia acontecido com seus amigos, mas nem mesmo Danilo conhecia todos os detalhes.

— Achamos que eles tinham entrado na sala para onde Suzane estava indo, então corremos atrás deles. Mas, assim que atravessei a porta, me vi de volta ao salão principal...

Danilo fez uma pausa, tentando organizar a lembrança.

Marcelo finalmente se afastou da janela e voltou para perto dele. Parou ao seu lado, com o rosto contraído, como se estivesse prestes a fazer uma pergunta. No entanto, quando Danilo virou a cabeça em sua direção, ele apenas sustentou seu olhar por um instante e depois desviou os olhos.

— O que você viu quando voltou ao salão? — perguntou Emili.

— O salão estava em chamas, e pessoas vestidas com as roupas do Eles corriam de um lado para o outro. Havia fumaça por toda parte, e você estava caído no chão, desacordado — respondeu Danilo, olhando para Marcelo. — Cecil tinha acabado de apagar suas memórias.

— Impossível — murmurou Emili, incrédula.

Ela se recostou na cadeira, mas não desviou os olhos de Danilo.

— Espera... Você saiu da sala onde minha irmã desapareceu, voltou ao salão principal e encontrou Cecil lá? — perguntou Emili, tentando entender o que Danilo acabara de contar.

A voz falhou antes que ela conseguisse terminar.

Emili levou uma das mãos à boca e respirou fundo, tentando conter a emoção. Ao seu lado, Marcos havia parado de balançar a cabeça. Agora, encarava Danilo com uma expressão fechada, como se esperasse que ele corrigisse alguma parte daquela história.

Marcelo, por sua vez, parecia ter perdido a capacidade de reagir. Continuava olhando para Danilo, mas seu rosto não revelava se estava tentando compreender o que ouvira ou se havia reconhecido alguma coisa naquela lembrança.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou Marcos.

A pergunta foi curta, mas Danilo percebeu a tensão em sua voz. Ele olhou de Marcos para Emili e, depois, para Marcelo.

Sim, era exatamente o que todos estavam pensando.

— Não sei como explicar, mas acho que o tempo passava de um jeito diferente naquela Sala. Para mim, tinham se passado só alguns segundos, mas, quando voltei ao salão, já deviam ter se passado pelo menos duas horas.

Tom franziu a testa e voltou a olhar para o notebook.

— Ninguém relatou nada parecido nos outros testemunhos — comentou.

Ele digitou mais algumas palavras, releu o que havia escrito e tornou a olhar para Danilo.

— Você tem certeza de que foram mais de duas horas? — perguntou Tom.

— Não sei dizer ao certo. Só sei que, para mim, tudo aconteceu muito rápido. Quando voltei, o salão já estava daquele jeito.

Tom assentiu lentamente, mas não voltou a digitar de imediato. Parecia considerar a informação antes de registrá-la.

Emili, porém, já não prestava atenção à conversa sobre a passagem do tempo. Levantou-se tão depressa que a cadeira arrastou contra o chão.

Pamela também se levantou e se aproximou para ampará-la, mas Emili a afastou com um movimento brusco.

— E a minha irmã?

A pergunta fez Danilo sentir o estômago se contrair.

— Danilo, onde estava a minha irmã? — insistiu Emili.

Ele soltou um suspiro pesado. Sentia como se os pulmões doessem, como se até mesmo respirar exigisse um esforço que já não tinha forças para fazer.

A cada segundo que passava sem responder, percebia o desespero que Emili e Marcos tentavam esconder. Marcos havia se levantado também, mas permanecia atrás da cadeira, com as mãos apoiadas no encosto. Pamela estava próxima dele, embora mantivesse os olhos em Emili.

Danilo sabia que todos aguardavam uma resposta. Ainda assim, por alguns instantes, não conseguiu pronunciar uma palavra.

— Ela apareceu depois de mim, desesperada para sair da Sala.

— E o Otávio? — perguntou Marcos.

A pergunta veio imediatamente, e Danilo percebeu que Marcos tentava manter a voz firme. No entanto, seus dedos se fecharam com força sobre o encosto da cadeira.

Danilo apenas balançou a cabeça em negativa.

Não soubera o que havia acontecido com Otávio até descobrir que seu corpo também havia sido encontrado.

Marcos soltou lentamente o encosto e deu um passo para trás. Pamela tentou se aproximar, mas ele ergueu a mão, pedindo um instante. Ela respeitou o gesto, embora permanecesse atenta a ele.

— Então, o que aconteceu? — perguntou Pamela, retomando a conversa.

Danilo voltou-se para ela, agradecido por não precisar escolher a próxima palavra sozinho.

— Assim que saímos de lá e colocamos Marcelo na minivan, vimos Suzane entrar no próprio carro e seguir pela estrada, na direção oposta à nossa. Mas ela estava...

Ele interrompeu a frase.

Emili deu um passo em sua direção.

— Estava o quê?

Danilo hesitou por um instante. Olhou para ela e, depois, para Marcelo, que permanecia ao seu lado, imóvel.

— Diferente.

— O que está querendo dizer?

Danilo baixou os olhos, como se precisasse reunir coragem para pronunciar as palavras seguintes.

— Não era mais ela.

A frase pareceu suspender o ar ao redor deles.

Emili ficou olhando para Danilo, sem demonstrar que havia compreendido. Por um momento, pareceu esperar que ele continuasse, que explicasse melhor o que queria dizer ou que encontrasse outra maneira de descrever o que havia visto.

Danilo sabia o quanto aquelas palavras eram cruéis, mas não encontrava outra maneira de explicar o que havia presenciado. A Suzane que todos conheciam e adoravam não era a mesma pessoa que saíra da Sala com eles.

— Como assim não era a minha irmã? — perguntou Emili, com a voz trêmula.

Danilo demorou a responder. Não queria machucá-la, mas também não podia continuar escondendo o que acreditava ter acontecido.

— Quando voltamos ao posto, Cecil já estava desconfiada de que alguma coisa tinha acontecido. Suzane não atendia às ligações, então ela foi procurá-la. Foi assim que a encontrou.

— Danilo, eu não estou entendendo o que você está tentando dizer.

A voz de Emili começou a falhar. Ela balançou a cabeça lentamente, como se tentasse afastar a conclusão que se formava em sua mente.

Danilo percebeu que ela já não estava apenas tentando compreender o relato. Procurava alguma saída, alguma possibilidade que tornasse aquilo menos terrível do que parecia.

— Emili, a Suzane havia voltado. O carro dela estava estacionado lá quando chegamos.

Ela ficou imóvel por alguns segundos, tentando assimilar aquelas palavras. Seus olhos percorreram o rosto de Danilo, procurando alguma hesitação, qualquer sinal de que ele estivesse enganado.

— Você está querendo dizer...

As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Emili antes mesmo que conseguisse terminar a pergunta.

Marcos abaixou a cabeça. Por alguns instantes, pareceu não saber se deveria se aproximar dela ou permanecer onde estava. Pamela, que acompanhava cada movimento, deu um pequeno passo em direção a Emili, mas não tentou tocá-la dessa vez.

— Que minha irmã escolheu voltar para aquele lugar?

Danilo se aproximou dela, sentindo o peso daquela pergunta como se também lhe faltasse ar.

— Ela não faria isso.

— Eu sei disso. Não era mais ela, Emili.

Emili ergueu os olhos para ele, e Danilo percebeu que ela esperava uma explicação que fosse capaz de afastar aquela possibilidade. Ele segurou os braços dela com cuidado, tentando fazê-la compreender algo que nem ele próprio conseguia explicar por completo.

— Alguma coisa naquela Sala mudou a Suzane. É por isso que acredito que ela tenha voltado.

Emili o encarou, mas já não parecia realmente vê-lo.

A expressão de dor que tomou seu rosto era a mesma que Danilo vira quando encontrou Cecil com o corpo de Suzane nos braços. Uma dor tão profunda que, por um instante, ele não soube o que dizer ou fazer para amenizá-la.

Emili tentou conter o choro, mas não conseguiu. Levou uma das mãos ao rosto e se curvou ligeiramente, como se o peso daquelas palavras tivesse se tornado insuportável. Danilo a envolveu em um abraço, e ela se agarrou a ele como se precisasse de alguma coisa que a mantivesse de pé.

Ele tentou confortá-la, embora soubesse que não havia palavras capazes de reparar o que acabara de destruir dentro dela.

Por alguns instantes, ninguém disse nada.

Pamela permaneceu próxima, respeitando o espaço dos dois. Marcos voltou a se sentar lentamente, mas não retomou a postura de antes. Ficou inclinado para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas, sem olhar para ninguém.

Tom havia parado de digitar. A tela do notebook continuava aberta diante dele, mas seus dedos não se moviam mais pelo teclado.

Marcelo, por sua vez, permanecia imóvel, com o olhar vazio fixo em Danilo.

Não demonstrava reação alguma, mas havia algo perturbador naquela maneira de encará-lo. Danilo não sabia o que se passava pela cabeça do amigo, nem se aquelas palavras haviam despertado alguma lembrança. Só conseguia perceber que Marcelo parecia distante, como se, apesar de estar ali com todos eles, uma parte de sua atenção estivesse presa a alguma coisa que os demais não podiam ver.

Agora ele devia entender por que Cecil se sentia tão culpada.

Ela havia permitido que Emili voltasse sozinha para casa, mesmo desconfiando de que alguma coisa estava errada com a amiga. Talvez, naquele momento, ainda acreditasse que Suzane estaria segura longe da Sala. Mas, quando percebeu o que realmente estava acontecendo, já era tarde demais.

Danilo, porém, desconfiava de que não se tratava apenas de um erro de julgamento. Havia a possibilidade de que tudo tivesse sido proposital.

Era como se Suzane tivesse atraído os outros para fora da Sala de propósito, como se precisasse que todos se afastassem para poder voltar àquele lugar sem ser impedida.

Mas por quê?


Related posts

Pública 0 conversa 0 pensamento 1 voto positivo 0 voto negativo 1 série

Olá, pessoal! 👀 Um novo capítulo está chegando, e talvez ele traga mais perguntas do que respostas... 👁️‍🗨️

Em séries

Em grupos