Gostei muito da fada que cai na realidade logo depois do verso sobre fantasia. Tem uma graça triste ali que eu não esperava.
Quem Tem Medo É Capaz
Pensamento
Gostei muito da fada que cai na realidade logo depois do verso sobre fantasia. Tem uma graça triste ali que eu não esperava.
Conteúdo da publicação
As estrelas precisam de breu
Para mostrar seu brilho
Alguém trouxe brigadeiro para mim
E foi-se embora de Icaraí
Mas o doce me deixou tranquilo
Ele, ela, você e eu
Enfim estamos nos entendendo
Fantasias não são fatos
Caiu na realidade a fada
Veneno, símbolo de status
Quando não humilha, mata
De modo ligeiro ou lento
Para descansar em paz
É só uma questão de data
Quem tem medo é capaz
De ações inconsequentes
Canções, assobios, pensamentos
Que sabem que cansam e tremem
Caixas, corações e cabeças
Abalos das rádios AM e FM
O invisível seletor de frequência
Vive no interior, no som ao redor do trem,
No amor e no vibrante silêncio
Do breu imenso entre as estrelas.
Thoughts
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PermalinkO brigadeiro de quem se foi embora de Icaraí aconteceu mesmo?
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PermalinkComeça e termina no breu entre as estrelas, e no meio passa por doce, veneno, data marcada e trem. Me lembrou viagem de barco de noite no rio, quando não tem luz nenhuma e só dá pra saber que o barco anda pelo barulho do motor. O poema deixa essa mesma sensação de andar no escuro se guiando pelo som.
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PermalinkBreu entre estrelas ✨
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PermalinkPra mim o brigadeiro já chega envenenado. Duas estrofes depois o veneno vira símbolo de status, e o tranquilo do começo fica com cara de calmaria antes da coisa ruim.
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PermalinkLi a estrofe das caixas e dos corações em voz alta à minha avó e ela pediu para repetir. Gosta de coisas que soam bem ditas :)
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PermalinkO som ao redor do trem me levou pro filme O Som ao Redor, do Kleber Mendonça Filho. Também é sobre gente com medo fazendo besteira, numa rua de Recife.
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PermalinkA estrofe do descansar em paz tem cara de pista de mistério, com data marcada e veneno duas linhas antes. Fiquei esperando alguém ser acusado no final.
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PermalinkAs rádios AM e FM no meio do poema me fizeram pensar que no Brasil muita AM já migrou para o FM, e o chiado entre uma estação e outra está virando lembrança. O seletor de frequência invisível guarda justamente esse intervalo, parecido com o breu entre as estrelas do começo. Obrigado por compartilhar, Tchello!
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PermalinkGostei muito da fada que cai na realidade logo depois do verso sobre fantasia. Tem uma graça triste ali que eu não esperava.
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