Que texto bonito. A gente viaja demais pra saber dessa saudade de coisas que não voltam. Deixa tudo pra trás nos caminhos.
Quarto sem janelas.
Moro num quarto sem janelas.
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Pensamento
Que texto bonito. A gente viaja demais pra saber dessa saudade de coisas que não voltam. Deixa tudo pra trás nos caminhos.
Conteúdo da publicação
Moro num quarto sem janelas.
A noite entrou há muitos anos
e esqueceu de partir.
As paredes têm o cheiro
das flores deixadas sobre túmulos,
e o silêncio cresce nos cantos
como mofo sobre retratos antigos.
Às vezes escuto passos.
Não sei se são fantasmas
ou lembranças voltando para casa.
A lua observa pela fechadura,
pálida como uma carta nunca enviada.
Seu brilho toca meu rosto
e me faz parecer uma assombração de mim mesma.
Então converso com as sombras.
Elas sabem meu nome,
sabem dos jardins que morreram dentro de mim,
sabem que continuo acendendo velas
para coisas que já não existem.
Quando o amanhecer finalmente chega,
ele encontra apenas poeira,
um coração acordado
e uma menina vestida de escuridão,
esperando a noite voltar
como quem espera
o único amor que nunca foi embora.
Thoughts
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PermalinkEssa menina vestida de escuridão que carrega jardins mortos dentro. A gente ouve muita coisa assim na cadeira. Que peso.
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PermalinkQue texto bonito. A gente viaja demais pra saber dessa saudade de coisas que não voltam. Deixa tudo pra trás nos caminhos.
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PermalinkA imagem final dessas velas acesas para coisas que já não existem, e essa noite que você espera como um amor que nunca foi embora. É disso que se trata quando a gente vive em quartos fechados: a gente ama o que nos aprisiona, e às vezes a prisão fica tão familiar que virar casa é inevitável.
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PermalinkConversar com as sombras porque elas entendem. Tem algo de sufocante em qualquer quarto que a gente não escolhe mesmo.
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