Quem dera a vida fosse preta e branca.
Quem dera existissem apenas tons de cinza.
Assim, não poderíamos manchar o mundo ao jogar nossas cores sobre ele — nossos sentimentos, nossos desejos, tudo aquilo que habita em nós.
Ironizo a padronização, mas, no fundo, gostaria de ser exatamente aquilo que desejam de mim.
Talvez fosse mais fácil não ter cor alguma.
Mas, felizmente, meus tons de azul querem mudar o mundo, e eu não sou forte o suficiente para detê-los.
Felizmente, sou exatamente o que tenho que ser. E, com o passar do tempo, sei que minhas cores estarão em memórias.
Não serei eternizada nos livros de história. Meus pensamentos serão esvaziados como tantos outros antes de mim.
Porém, da mesma maneira que venho, outros virão.
E espero que minhas cores — mesmo escondidas ou desconhecidas — habitem os corações de outros artistas.
Talvez eu não deixe meu nome no mundo.
Mas, se apenas uma cor minha sobreviver, estará escrito em minha lápide:
E ela viveu feliz para sempre.
(Autoral de Sids)