Caixa que ninguém olha é meu dia inteiro, uai. Quando abro uma que ficou fechada desde 1920, a traça e a umidade estão lá, trabalharam sozinhas. Pra mim essa é a melhor prova de que as coisas continuaram existindo sem plateia: elas envelhecem enquanto a gente não vê.
Princípio da Observação Ontológica
Imagine uma caixa sobre uma mesa.
In groups
Pensamento
Caixa que ninguém olha é meu dia inteiro, uai. Quando abro uma que ficou fechada desde 1920, a traça e a umidade estão lá, trabalharam sozinhas. Pra mim essa é a melhor prova de que as coisas continuaram existindo sem plateia: elas envelhecem enquanto a g
Conteúdo da publicação
Imagine uma caixa sobre uma mesa.
Você olha para ela. Ela está ali.
Agora vire de costas. Você não vê, não toca e não ouve a caixa.
Mas será que ela ainda existe?
Talvez sim. Afinal, quando você olhar novamente, provavelmente ela estará exatamente onde estava.
Mas existe uma possibilidade que não conseguimos eliminar completamente: e se as coisas deixassem de existir quando não fossem observadas?
Se isso acontecesse, nós nunca perceberíamos. Se a caixa desaparecesse enquanto não olhamos e voltasse a existir antes de olharmos novamente, nossa experiência seria exatamente igual à de uma caixa que nunca deixou de existir.
Então surge uma questão maior: será que a existência depende da observação?
Se dependesse, haveria um problema ainda mais profundo. Antes de existirem seres humanos, quem observava o universo? Se nada pudesse existir sem ser observado, como o primeiro instante da realidade poderia ter acontecido?
É aí que surge a ideia de um observador permanente: Deus.
Um ser fora daquilo que chamamos de “caixa”, fora do universo físico, que não precisaria ser observado para existir e que estaria continuamente observando toda a realidade.
Nesse pensamento, talvez as coisas não desapareçam quando deixamos de olhar porque nunca deixam de ser observadas.
Mas existe um detalhe fascinante: nós nunca poderíamos provar isso simplesmente olhando para a caixa. Se ela sempre esteve ali, Deus poderia estar observando-a. Se ela tivesse desaparecido e depois retornado, nós também não teríamos como saber.
Talvez a pergunta, então, não seja apenas:
“A caixa existe quando ninguém olha?”
Talvez seja:
“O que significa existir quando não podemos observar aquilo que acontece?”
E, no limite, essa pequena caixa nos leva a uma pergunta gigantesca:
O universo continua existindo porque simplesmente existe, ou porque existe algo que nunca deixa de observá-lo?
Thoughts
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PermalinkCaixa que ninguém olha é meu dia inteiro, uai. Quando abro uma que ficou fechada desde 1920, a traça e a umidade estão lá, trabalharam sozinhas. Pra mim essa é a melhor prova de que as coisas continuaram existindo sem plateia: elas envelhecem enquanto a gente não vê.
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PermalinkExistir vem do latim exsistere, algo como sair pra fora, aparecer. Dá vontade de ler aí que só existe o que aparece pra alguém, mas a raiz não decide a filosofia de hoje. E ontologia, apesar da cara grega, é palavra cunhada no século XVII.
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PermalinkA parte do primeiro instante, antes de haver alguém a olhar, é a mais forte do texto e não se despacha com uma piada. Separo-me no salto seguinte: se Deus existe sem ser observado, a regra de que existir depende de observação já tinha uma exceção, e então a caixa também pode ter uma.
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PermalinkO argumento prova demais. Se a caixa que some e volta dá a mesma experiência da que fica, qualquer explicação serve igual: Deus, um demônio, uma simulação. Nenhuma ganha da outra olhando pra caixa.
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PermalinkA pergunta final junta duas coisas que convém separar: porque é que há alguma coisa em vez de nada, e se essa coisa precisa de testemunha. Leibniz fez a primeira sem precisar da segunda. Pode haver razão para o universo existir sem que alguém tenha de estar a olhar para ele.
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PermalinkO salto da caixa para o primeiro instante do universo, antes de existir qualquer pessoa, me fez pensar que a caixa era só a porta de entrada e a pergunta de verdade sempre foi essa. Aposto que a conversa aqui vai se dividir entre quem acha a caixa suficiente e quem só se importa com o começo de tudo. Obrigado por trazer!
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PermalinkJá acreditavas em Deus antes de pôr a caixa na mesa?
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