Minha querida rosa...
venho te dizer do dia que te vi no jardim.
Nesse dia eu senti que você era pra mim.
Suas pétalas pareciam tão macias,
mesmo sem eu nem ter encostado.
Suas pétalas eram lindas,
não vou mentir que fiquei encantado.
Você não era a única rosa do jardim.
Havia outras dezenas de opções,
mas foi você, querida rosa,
que foi o centro das minhas atenções.
Eu quis pegá-la...
e tentei.
Fiquei espantado e assustado
com o sangue que escorria em minha mão
por ter agarrado seus espinhos.
Dolorosos...
mas tão lindos.
Senti que cada gemido de dor tinha valido.
Mas que a dor maior não era a minha,
afinal, não era eu que tinha espinhos.
E essa bela rosa eu peguei pra criar.
Prometi pra mim mesmo que todos esses espinhos eu iria tirar...
prometi que dessa linda rosa eu ia cuidar.
Afinal, ela é tão linda...
de um jeito que eu nunca pude imaginar.
E tava ciente...
sabia que cada espinho que eu arrancaria...
a dor que sentiria seria iminente.
Mas saber que a rosa estaria sendo bem cuidada...
pra mim já era o suficiente.
E por dias e dias meu incentivo era muito.
Não conseguia ficar sem pensar na bela rosa nem por um segundo.
Me dediquei, por essa rosa eu dei de tudo.
Quem via de fora até me chamava de maluco.
Mas eles não entenderiam...
pra isso precisariam estar no meu lugar.
Afinal,
como ver algo tão belo e perfeito e não querer amar?
Mas a rosa foi morrendo aos poucos...
as pétalas já estavam secas...
pele e osso.
Seu caule já não parava totalmente em pé,
e sua beleza já não identificava qual era.
E eu pensei no que tinha feito de errado.
Dei carinho,
água
e dediquei todo meu cuidado.
Mas, aos poucos, eu entendi o recado:
Arranquei os espinhos de uma flor
que nunca quis ter seus espinhos arrancados...
tirei uma flor de um jardim
no qual ela nunca pediu pra ser tirada...