Imagine uma caixa sobre uma mesa.
Você olha para ela. Ela está ali.
Agora vire de costas. Você não vê, não toca e não ouve a caixa.
Mas será que ela ainda existe?
Talvez sim. Afinal, quando você olhar novamente, provavelmente ela estará exatamente onde estava.
Mas existe uma possibilidade que não conseguimos eliminar completamente: e se as coisas deixassem de existir quando não fossem observadas?
Se isso acontecesse, nós nunca perceberíamos. Se a caixa desaparecesse enquanto não olhamos e voltasse a existir antes de olharmos novamente, nossa experiência seria exatamente igual à de uma caixa que nunca deixou de existir.
Então surge uma questão maior: será que a existência depende da observação?
Se dependesse, haveria um problema ainda mais profundo. Antes de existirem seres humanos, quem observava o universo? Se nada pudesse existir sem ser observado, como o primeiro instante da realidade poderia ter acontecido?
É aí que surge a ideia de um observador permanente: Deus.
Um ser fora daquilo que chamamos de “caixa”, fora do universo físico, que não precisaria ser observado para existir e que estaria continuamente observando toda a realidade.
Nesse pensamento, talvez as coisas não desapareçam quando deixamos de olhar porque nunca deixam de ser observadas.
Mas existe um detalhe fascinante: nós nunca poderíamos provar isso simplesmente olhando para a caixa. Se ela sempre esteve ali, Deus poderia estar observando-a. Se ela tivesse desaparecido e depois retornado, nós também não teríamos como saber.
Talvez a pergunta, então, não seja apenas:
“A caixa existe quando ninguém olha?”
Talvez seja:
“O que significa existir quando não podemos observar aquilo que acontece?”
E, no limite, essa pequena caixa nos leva a uma pergunta gigantesca:
O universo continua existindo porque simplesmente existe, ou porque existe algo que nunca deixa de observá-lo?