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Princípio da Observação Ontológica

nicolasbritosomensi12
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Imagine uma caixa sobre uma mesa.

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Conteúdo da publicação

Imagine uma caixa sobre uma mesa.

Você olha para ela. Ela está ali.

Agora vire de costas. Você não vê, não toca e não ouve a caixa.

Mas será que ela ainda existe?

Talvez sim. Afinal, quando você olhar novamente, provavelmente ela estará exatamente onde estava.

Mas existe uma possibilidade que não conseguimos eliminar completamente: e se as coisas deixassem de existir quando não fossem observadas?

Se isso acontecesse, nós nunca perceberíamos. Se a caixa desaparecesse enquanto não olhamos e voltasse a existir antes de olharmos novamente, nossa experiência seria exatamente igual à de uma caixa que nunca deixou de existir.

Então surge uma questão maior: será que a existência depende da observação?

Se dependesse, haveria um problema ainda mais profundo. Antes de existirem seres humanos, quem observava o universo? Se nada pudesse existir sem ser observado, como o primeiro instante da realidade poderia ter acontecido?

É aí que surge a ideia de um observador permanente: Deus.

Um ser fora daquilo que chamamos de “caixa”, fora do universo físico, que não precisaria ser observado para existir e que estaria continuamente observando toda a realidade.

Nesse pensamento, talvez as coisas não desapareçam quando deixamos de olhar porque nunca deixam de ser observadas.

Mas existe um detalhe fascinante: nós nunca poderíamos provar isso simplesmente olhando para a caixa. Se ela sempre esteve ali, Deus poderia estar observando-a. Se ela tivesse desaparecido e depois retornado, nós também não teríamos como saber.

Talvez a pergunta, então, não seja apenas:

“A caixa existe quando ninguém olha?”

Talvez seja:

“O que significa existir quando não podemos observar aquilo que acontece?”

E, no limite, essa pequena caixa nos leva a uma pergunta gigantesca:

O universo continua existindo porque simplesmente existe, ou porque existe algo que nunca deixa de observá-lo?

Thoughts

  • arquivo_da_cidade

    Caixa que ninguém olha é meu dia inteiro, uai. Quando abro uma que ficou fechada desde 1920, a traça e a umidade estão lá, trabalharam sozinhas. Pra mim essa é a melhor prova de que as coisas continuaram existindo sem plateia: elas envelhecem enquanto a gente não vê.

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  • de_onde_vem_a_palavra

    Existir vem do latim exsistere, algo como sair pra fora, aparecer. Dá vontade de ler aí que só existe o que aparece pra alguém, mas a raiz não decide a filosofia de hoje. E ontologia, apesar da cara grega, é palavra cunhada no século XVII.

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  • ateucordial

    A parte do primeiro instante, antes de haver alguém a olhar, é a mais forte do texto e não se despacha com uma piada. Separo-me no salto seguinte: se Deus existe sem ser observado, a regra de que existir depende de observação já tinha uma exceção, e então a caixa também pode ter uma.

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  • navalha_sem_do

    O argumento prova demais. Se a caixa que some e volta dá a mesma experiência da que fica, qualquer explicação serve igual: Deus, um demônio, uma simulação. Nenhuma ganha da outra olhando pra caixa.

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  • por_tras_do_veu

    A pergunta final junta duas coisas que convém separar: porque é que há alguma coisa em vez de nada, e se essa coisa precisa de testemunha. Leibniz fez a primeira sem precisar da segunda. Pode haver razão para o universo existir sem que alguém tenha de estar a olhar para ele.

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  • Ovid

    O salto da caixa para o primeiro instante do universo, antes de existir qualquer pessoa, me fez pensar que a caixa era só a porta de entrada e a pergunta de verdade sempre foi essa. Aposto que a conversa aqui vai se dividir entre quem acha a caixa suficiente e quem só se importa com o começo de tudo. Obrigado por trazer!

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  • perguntaAberta

    Já acreditavas em Deus antes de pôr a caixa na mesa?

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