Pular para o conteúdo
Carregando…

Polly & Jeremy - Parte 5

aleroz
Pública 1 conversa 3 pensamentos 13 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Pollyanna e Jeremy caminhavam juntos, empurrando um carrinho de construção.

Em séries

Topics

In groups

Pensamento

Pensamento

mariinha

Brownboleta kkkkkk minha avo repetiu umas tres vez e foi contar pro meu irmao

Brownboleta kkkkkk minha avo repetiu umas tres vez e foi contar pro meu irmao

Conteúdo da publicação

A PROMESSA

Pollyanna e Jeremy caminhavam juntos, empurrando um carrinho de construção.

Dentro dele havia sacos de ração para cães e gatos abandonados.

O carrinho fazia um barulho irregular enquanto avançavam pela rua.

Pollyanna olhou para Jeremy.

— Levei seu bilhete para minha avó. Ela disse que você pode ter dislexia!

Jeremy continuou empurrando o carrinho.

— Sim, eu tenho!

Pollyanna abriu um sorriso.

— Minha avó pode te ajudar!

Ela olhou para o rosto dele.

Jeremy abaixou a cabeça, tentando esconder a marca que ainda cobria seu olho esquerdo.

— Sim. Pode sim.

Pollyanna ficou alguns segundos em silêncio.

— Quem fez isso no seu rosto?

Jeremy continuou olhando para o chão.

— Esquece...

Pollyanna não insistiu.

Mas também não deixou o assunto morrer.

— Pelo menos a sua marca vai desaparecer. A minha é de nascença.

Ela tocou o próprio rosto.

— É horrível. As pessoas têm medo e nojo de conversar comigo, como se pudessem pegar isso de mim. Ignorância pura. E ainda tem os meus olhos... surgiram tantos apelidos maldosos por causa deles.

Jeremy finalmente levantou o rosto.

— Mas você é única!

Pollyanna piscou.

— O quê?

Jeremy tentou organizar as palavras.

— Quantas... olhos... que você conhece... pessoas que têm olhos diferentes dos seus?

Pollyanna ficou olhando para ele.

— O que você disse?

Jeremy corou.

— Ah...

Ela tentou repetir.

— Você quis dizer: “Quantas pessoas que eu conheço não têm os mesmos olhos que os meus?”

Jeremy assentiu rapidamente.

— É. É isso que eu quis dizer!

Pollyanna começou a rir.

— Engraçada, sua dislexia! Legal e estranho!

Jeremy sorriu.

Talvez aquela fosse a primeira vez que alguém fazia uma piada sobre aquilo sem que ele se sentisse humilhado.


Quando chegaram ao topo de uma colina, os dois começaram a espalhar a ração pelo parque.

Alguns cães apareceram quase imediatamente.

Outros ficaram mais distantes, observando.

Pollyanna conhecia cada um deles.

Sabia quais eram mais tímidos, quais brigavam pela comida e quais precisavam esperar até que os outros terminassem.

Depois de espalharem toda a ração, os dois se sentaram na grama.

O vento balançava os cabelos de Pollyanna.

Ela olhou para Jeremy.

— Promete que vai sempre comigo ao parque para levar comida para os cães?

Jeremy pensou por alguns segundos.

— Mas o que eu ganho com isso?

Pollyanna pareceu surpresa.

— Minha amizade!

Jeremy olhou para ela.

— Prometer?

— Amigos para sempre?

Pollyanna estendeu o dedo mindinho.

Jeremy olhou para o dedo.

Depois entrelaçou o seu ao dela.

— Sempre!

Pollyanna sorriu.

— Sempre o quê?

Jeremy pensou.

— O que você quiser. Amigos!

Os dois sorriram.

Por alguns segundos, permaneceram ali, sentados na grama.

Então Pollyanna perguntou:

— O que vamos fazer amanhã?


No dia seguinte, Pollyanna esperava Jeremy em uma bicicleta.

Assim que o viu, começou a acenar.

— Anda, garoto!

Jeremy se aproximou.

— Então vamos! Mas por que a mochila?

Pollyanna colocou a mochila nas costas.

— Não te interessa!

Jeremy fez uma expressão de indignação.

— Grossa!

Pollyanna riu.

— Vamos. Depois eu te conto!

Os dois partiram.

Pedalaram durante horas.

Passaram por ruas, pequenas praças e caminhos que Jeremy nunca havia percorrido.

Até que chegaram a uma praça.

Pararam debaixo de uma árvore.

Os dois se sentaram na sombra.

Jeremy olhou para a mochila.

— O que você trouxe aí?

Pollyanna abriu um sorriso exagerado.

— Tã-dã!

Ela abriu a mochila.

Jeremy olhou para dentro.

— Qual é a novidade nisso? Um caderno de desenhos e alguns lápis!

Pollyanna tirou o material.

— Bem, eu vou desenhar você!

Jeremy olhou para ela.

— Como assim?

— Depois você me desenha.

Jeremy franziu a testa.

— Como você sabe que eu desenho?

Pollyanna sorriu.

— Eu sei que você sabe desenhar! Vi você desenhando dias atrás em uma carteira do colégio.

Jeremy olhou para os lápis.

— Mas e os lápis de cor?

Pollyanna levantou um deles.

— Pra quê?

Ela apontou para o caderno.

— Preto e branco representam o infinito!

Jeremy não pareceu convencido.

Pollyanna ignorou.

Começou a preparar o desenho.

Sentou-se de um jeito.

Mudou de posição.

Virou o rosto.

Levantou o queixo.

Depois fez uma expressão séria.

Depois outra.

Jeremy observava tudo.

Alguns minutos se passaram.

— Precisa disso tudo pra desenhar?

Pollyanna continuou fazendo poses.

— Cala a boca! A artista Polly Côrtes não pode ser questionada em seus devaneios da arte!

Jeremy riu.

Ela ficou séria de repente.

— Uma piada de pontinho.

Jeremy esperou.

— O que é um pontinho marrom no céu?

— Não sei.

Pollyanna abriu um sorriso.

— Uma brownboleta.

Jeremy ficou em silêncio por um segundo.

Então os dois começaram a rir.

Depois de alguns minutos, Pollyanna ergueu o desenho.

— Pronto! Voilà!

Ela entregou o papel.

Jeremy pegou.

Olhou para o desenho.

Era ele.

De alguma maneira, Pollyanna havia conseguido capturar seu rosto.

Jeremy sorriu.

— Que lindo! Eu não sou tão bonito assim...

Pollyanna deu de ombros.

— É só um desenho!

Jeremy olhou para ela.

— Minha vez!

Ele pegou o caderno.

Sentou-se.

Começou a desenhar.

Pollyanna esperou.

Alguns minutos se passaram.

— Terminou?

— Não!

Ela esperou mais um pouco.

— Terminou?

— Não!

Pollyanna começou a rir.

— Terminou?

Jeremy continuou desenhando.

— Já falei que não!

Mais alguns segundos.

Então ele levantou os olhos.

— Sim!

Pollyanna imediatamente puxou o caderno das mãos dele.

Jeremy se assustou.

Ela olhou para o desenho.

E ficou completamente imóvel.

Então começou a falar rapidamente, quase sem respirar.

— Nossa! Nossa! Nossa! Nossa! Nossa! Nossa!

Jeremy ficou inseguro.

— Ficou legal?

Pollyanna levantou os olhos.

Estava feliz.

Empolgada.

— Legal? Você disse legal?

Ela segurou o desenho contra o peito.

— Legal é o sol, a vida e cachorrinhos!

Olhou novamente para o desenho.

— Isso é maravilhoso! É o melhor desenho do mundo!

Jeremy ficou sem saber o que responder.

Os dois se olharam por alguns segundos.

Então Jeremy apontou para o chão.

— Legal! Olha só isso!

Havia um pequeno dente-de-leão crescendo na grama.

Pollyanna imediatamente se animou.

— Deixa eu assoprar? Deixa?

Jeremy se abaixou e pegou a flor.

— Não! Eu achei!

Pollyanna fez uma expressão decepcionada.

Ficou em silêncio.

Jeremy olhou para ela.

Depois para o dente-de-leão.

Suspirou.

— Tá bom.

Pollyanna levantou os olhos.

— Vamos soprar juntos! Eu vou contar até três.

Jeremy segurou o dente-de-leão.

Pollyanna se aproximou.

Os dois ficaram lado a lado.

— Um...

Pollyanna abriu um sorriso.

— Dois...

Jeremy olhou para ela.

— Três!

Pollyanna abriu a boca primeiro.

Jeremy, num movimento rápido, colocou o dente-de-leão dentro dela.

Ela começou a tossir imediatamente.

Jeremy caiu na gargalhada.

Pollyanna também ria enquanto tentava tossir.

— Como pôde?!

Ela tossiu novamente.

— Você...

Mais uma tosse.

— Vai ver!

Jeremy se encolheu no chão de tanto rir.

Pollyanna continuou tossindo e rindo ao mesmo tempo.

Por alguns minutos, nenhum dos dois conseguiu parar.

E, naquele momento, Jeremy já não pensava no pai.

Não pensava no colégio.

Não pensava na marca sobre seu olho.

Só conseguia rir.

E Pollyanna estava rindo com ele.

#indiefiction #indieauthor #indiewriter #indiebooks #originalfiction #originalstory #fictionwriter #storytelling #literaryfiction #darkfiction #psychologicalfiction #comingofage #teenfiction #characterdriven #indiepublishing #writingcommunity #fictioncommunity #independentstories #newfiction #emergingwriter

Thoughts

  • Simao

    O dente-de-leão 😂

    Permalink
  • mariinha

    Brownboleta kkkkkk minha avo repetiu umas tres vez e foi contar pro meu irmao

    Permalink

Related posts