Madonna e Caverna kkkkk
Polly & Jeremy - Parte 3
O quintal da casa de Pollyanna era maior do que Jeremy imaginava.
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Madonna e Caverna kkkkk
Conteúdo da publicação
O quintal
O quintal da casa de Pollyanna era maior do que Jeremy imaginava.
Havia gaiolas por todos os lados, pequenas casinhas de madeira e abrigos improvisados. Alguns cachorros descansavam à sombra. Outros caminhavam de um lado para o outro, acompanhando qualquer movimento que surgisse.
Pollyanna cuidava daqueles animais.
Recolhia cães abandonados pelas ruas, levava-os para casa e tentava encontrar um lugar para cada um deles.
Ela atravessou o quintal ainda irritada com a avó.
Obedecia, mas não estava satisfeita.
Enquanto isso, Jeremy continuava sentado no sofá ao lado de Inês.
A senhora terminou de cuidar de seu nariz e observou o garoto por alguns segundos.
— Jeremy, você é o primeiro amigo da raça humana que Polly traz para casa.
Jeremy levantou os olhos.
Inês sorriu.
— Pena que você não fale muito. Mas não tem problema. Eu simpatizei com você.
Ela ajeitou o curativo.
— Adoro minha neta, sabe? Polly não tem amigos. Só cães, gatos... e outra criatura que ela simpatiza.
Jeremy permaneceu calado.
— Espero que vocês se tornem bons amigos — continuou Inês. — Ela está sempre sozinha.
Jeremy olhou diretamente para ela.
Inês percebeu.
— Você é bem calado. Um pouco tímido.
Ela segurou delicadamente o rosto dele e levantou seu queixo.
— Fique tranquilo. Temos que respeitar nossas diferenças. Eu falo muito. E, para alguém que fala muito, precisamos de alguém que escute muito.
Jeremy esboçou um pequeno sorriso.
Abaixou a cabeça.
Depois tornou a levantá-la, concordando.
Inês terminou o curativo.
— Apenas trate o ser humano como ser humano e ele será um ser humano. Caso contrário, será um animal para sempre.
Jeremy ficou olhando para ela.
Inês apontou para a porta.
— Jeremy, pode ajudar Polly? Nosso quintal é enorme.
Ela sorriu.
— Depois eu compenso você com um belo bolo de cenoura com chocolate.
Jeremy se levantou.
— Mas cuidado com as fezes dos animais!
Ele parou.
Inês riu.
— É só seguir reto. Você chega à cozinha. A porta dos fundos fica lá.
Jeremy caminhou até a cozinha.
Havia panelas sujas sobre a pia, uma batedeira coberta por restos de massa e ingredientes espalhados pela bancada. O cheiro doce do bolo ainda estava no ar.
Ele atravessou o cômodo e abriu a porta dos fundos.
Por vezes, preferimos os animais simplesmente porque eles não se comunicam conosco.
Ou talvez porque sua comunicação seja mais simples.
Eles não precisam explicar o que sentem.
São fiéis a quem os alimenta.
Nós, humanos, poderíamos ser assim.
Fiéis àqueles que nos oferecem amizade.
Àqueles que nos dão uma palavra que realmente significa alguma coisa.
Porque algumas palavras parecem pequenas.
Mas podem modificar tudo.
Assim que Jeremy colocou os pés no quintal, ouviu latidos.
Virou-se.
Não teve tempo de reagir.
Um cachorro correu em sua direção.
Depois outro.
E outro.
Em poucos segundos, Jeremy estava cercado.
Um deles pulou sobre seu peito.
Jeremy caiu.
Os cães começaram a lambê-lo.
Ele tentou proteger o rosto.
— Sai! Sai!
Pollyanna apareceu correndo.
— Lulu! Jão! Madonna! Caverna!
Ela tentava afastá-los.
— Seus danados!
Jeremy não conseguiu segurar.
Começou a rir.
Pollyanna também.
Os cães continuavam lambendo seu rosto.
Um deles acertou sua boca.
Jeremy fez uma careta.
Depois riu novamente.
Pollyanna ficou olhando para ele.
— Você tem dentes?
Jeremy parou.
Ela apontou para o rosto dele.
— Foi a primeira vez que você sorriu.
Jeremy apenas sorriu outra vez.
Pollyanna cruzou os braços.
— Aposto que minha avó pediu para você me ajudar.
Jeremy assentiu.
— Como recompensa, bolo de cenoura com chocolate.
Jeremy respondeu baixinho:
— Si... sim.
Os dois ficaram em silêncio.
Por alguns segundos, apenas se olharam.
Pollyanna pareceu lembrar de alguma coisa.
— Que vê a minha Venga?
Jeremy arregalou os olhos.
— Não!
Pollyanna imediatamente percebeu o mal-entendido.
— Ou... espera!
Ela colocou as mãos no rosto.
— Desculpa! É Venga em português! O V tem som de B em espanhol!
Jeremy continuou olhando para ela, confuso.
Pollyanna apontou para o quintal.
— Venga é uma periquita que corre.
Ela levou os dedos à boca e assoviou.
O som atravessou o quintal.
Jeremy ficou admirado.
— Nossa!
Alguns segundos depois, algo apareceu ao longe.
Uma pequena periquita vinha correndo pelo quintal.
Pollyanna abriu um sorriso enorme.
Abaixou-se.
— Vem, Venga! Lindona da mamãe! Vem cá! Vem cá!
A periquita aproximou-se.
Jeremy começou a rir.
Pollyanna olhou para ele.
— Tá rindo do quê?
Jeremy tentou esconder o sorriso.
Não conseguiu.
Pollyanna levantou-se.
Pegou algumas folhas sujas do chão.
— Ah, é?
Jogou-as no rosto dele.
Jeremy ficou imóvel por um segundo.
Depois pegou algumas folhas e jogou de volta.
Pollyanna gritou.
— Ei!
Ela correu.
Jeremy correu atrás.
Logo os dois estavam jogando folhas um no outro.
Depois vieram os restos secos espalhados pelo quintal.
— Jeremy!
Ele riu.
— Foi você que começou!
— Mentira!
Ela jogou mais folhas.
Jeremy revidou.
A brincadeira continuou até que os dois estivessem completamente sujos.
Da janela da cozinha, Inês observava tudo.
Não interrompeu.
Apenas sorriu.
Quando finalmente terminaram de arrumar o quintal, estavam exaustos.
E fedendo.
Inês abriu a porta dos fundos.
— Nossa! Vocês estão fedendo!
Pollyanna tentou passar por ela.
— Já pro banho, Polly!
Ela apontou para Jeremy.
— E você também. Tenho uma roupa adequada para você.
Depois do banho, os dois estavam sentados à mesa.
Pollyanna vestia roupas cor-de-rosa, muito mais confortáveis do que as roupas pretas que usava antes.
Jeremy estava enrolado em um roupão de banho rosa.
Inês olhou para ele.
— Esse roupão de banho rosa combina com sua pele.
Pollyanna levantou os olhos.
— Vó?
Jeremy sorriu.
Inês apontou para ele.
— Belo sorriso!
Colocou um prato sobre a mesa.
— Vai ficar ainda melhor com bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Há algo melhor que isso?
Pollyanna levantou a mão.
— Só uma piada minha!
Inês fechou os olhos.
— Me poupe, Polly. Não quero saber das suas piadas sem graça.
Pollyanna sorriu.
— O que é um ponto dentro de uma quadra de tênis?
Inês suspirou.
— Ai, meu Deus. Lá vem.
Pollyanna esperou alguns segundos.
— Não sabem?
Jeremy e Inês permaneceram olhando para ela.
Pollyanna abriu um sorriso.
— É um ponto!
Silêncio.
Jeremy e Inês se entreolharam.
Nenhum dos dois reagiu.
Por alguns segundos, ficaram completamente sérios.
Então Jeremy se engasgou.
Começou a rir.
Inês também.
Em poucos instantes, os dois estavam gargalhando à mesa.
Pollyanna olhou para eles, satisfeita.
Talvez a piada não fosse tão ruim.
Ou talvez fosse.
Naquela tarde, isso não importava.
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Thoughts
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PermalinkA avó é quem manda nesta parte toda. Fala pelos dois, trata do nariz, dá ordens, promete bolo, e no meio disso solta a frase de tratar gente como gente como quem diz as horas. Na parte anterior achei-a trocista com o miúdo. Agora parece-me que ela percebeu o Jeremy antes da neta, e que o convite para o quintal foi de propósito.
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PermalinkMadonna e Caverna kkkkk
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