Sou sufocado por fios de cerol,
Braços das tempestes que me perseguem.
Se um dia te enxerguei como um farol,
Sei dessa luz; nem todos a conseguem.
Há mares que só a escuridão abraça;
Que o céu é raso, longe das estrelas:
Nem todos chegam no ar da sua graça,
Por mais de perto que se possa vê-las.
De tanto tentar tocar nesse brilho,
Pouco a pouco, as ondas levam a força.
Sem luz e ar, lentamente se dissipa.
Já consumido por esse espartilho,
Resta, para mim, apenas que eu torça:
Que, no outro céu, eu possa empinar pipa.