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A Arte de Calar os Sujos

JuliaFornes

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Está cheirando bem hoje, Jon.

Como aprecio a sua chegada...

Seu belo rosto molda o meu sorriso,

Observo você com olhos de amor.

Você desperta em sua melhor forma,

Sua beleza pálida me acalma.

Preciso renovar a cor da sua pele,

Passar mais uma camada de gesso sobre você.

Alguns alfinetes ajudarão a esticar o seu sorriso.

Não se mexa! Voltarei logo.

Vou apenas eternizar a sua morte na minha vida.

Seus órgãos serão minha refeição nos próximos dias,

E bendito seja o seu sangue.

Você é a minha borboleta, Jon.

Será eterno em minha coleção,

Mas não ficará preso a uma simples moldura na parede como os outros:

Farei você me acompanhar por todos os cômodos desta casa.

Meu companheiro...

Um dia você vai aceitar tudo isso.

Minha felicidade celebra a sua partida,

Fico ofegante só de olhar para você.

Que fascínio em ver seu corpo aberto em minhas mãos!

Minha obra de taxidermia viva.

Vou raspar sua pele e costurá-la à minha,

Envolver seu interior em resina e ossos quebrados.

Fincarei arames em seus olhos vitrificados

E farei dos seus cabelos os meus.

Fique sempre ao meu lado.

Nutra-me com sua presença imóvel,

Dance comigo sobre os seus restos.

Seja a minha carne.

Sua putrefação me seduz,

Meu querido animalzinho.

Seu intestino ornamenta o seu pescoço

E seu crânio decora o nosso lar.

O que seria de você sem mim?

Apenas mais um homem roubando a ingenuidade de pequenas mariposas.

Que desperdício horrendo e miserável.

Você sorri muito mais ao meu lado agora;

Voa mais alto de encontro à luz.

As garotas estão mais seguras com você preso à gaiola,

E sinto paz ao tirar a sua vida para devolvê-la ao mundo:

Onde as mariposas finalmente encontram a lua,

E os homens sujos encontram sua cova.

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Está cheirando bem hoje, Jon.

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