Patinho feio, eu fui como ninguém,hoje, pato, ainda sou… feio !
Mas naquele tempo de meninice,
o tempo parecia não passar.
Aliás, ainda não passou !
A molecada gostava de bulir,
gostava mesmo de xingar a mãe.
de jogar pedra de atiradeira,
de roubar manga no quintal.
A vizinhança vezes sem conta,
trocava lâmpadas e roupas,
As do varal, as do quintal.
A culpa era sempre minha,
apanhave sempre !
Patinho feio ! Gritava a garotada !
E lá se ia eu, pro purgatório,
tomar chineladas nas nádegas,
e onde mais fosse possível marcar.
Quando jogava futebol,
Era sempre goleiro,
o grande frangueiro,
Mesmo assim foi bom, foi boa aquela época.
Aquele tempo irresponsável, orgias sem paradas,
desordem simulada.
Patinho feio como ninguém o fui,
hoje, agora pato feito, como prato feito,
sou grande e responsável.
Saudades ! Dá vontade de construir uma máquina do tempo,
e outra vez, fazer todas as travessuras
deixando a velharia em povorosa,
quebrando vidraças virgens,
pulando muros,
rompendo o invólucro do impossível !
O patinho feio ainda existe em mim e,
embora às vezes aparentemente desprezado,
soube amar aquela idade !