Algumas dores vestem-se de palavras
para não serem reconhecidas,
enquanto o coração,
guarda aquilo que a boca silencia.
Fingir é, às vezes, uma escolha
quando a verdade arde demais
e precisa de uma máscara
para caber na existência.
Isso acontece quando abrimos portas
para as quais ainda não estamos preparados,
quando despertamos sentimentos tão profundos
que nem a alma consegue dizê-los por inteiro.
Há verdades que nos atravessam
antes que saibamos compreendê-las.
Então, o destino escreve em silêncio
e o poeta traduz em segredo.
E o coração continua batendo,
como quem guarda uma certeza
que não cabe nas palavras,
não se rende à razão
e talvez jamais seja explicada.