Uma flor amarela
desabrocha: ela não tem pressa.
Eu, ao contrário,
quero colhê-la.
Um inseto voa
sobre os sulcos
que há pouco cavei,
e pousa perto dela;
contorna uma folha,
refresca-se
em um pingo d'água.
E parte.
Eu permaneço.
Os sulcos se ressecam,
e o vento
carrega a terra solta.
Noto que já estou velho
para colher flores.
Vinicius A. de Souza