Os sulcos que ele mesmo cavou secando enquanto ele fica ali me fizeram pensar em quem passa a vida preparando a terra pra uma colheita que sempre deixa pra depois. Aposto que o velho do poema não lamenta tanto a flor quanto o tempo gasto cavando, e mesmo assim ficou pra ver o vento levar a terra, o que já diz muito dele.
Sem Pressa
Pensamento
Os sulcos que ele mesmo cavou secando enquanto ele fica ali me fizeram pensar em quem passa a vida preparando a terra pra uma colheita que sempre deixa pra depois. Aposto que o velho do poema não lamenta tanto a flor quanto o tempo gasto cavando, e mesmo
Conteúdo da publicação
Uma flor amarela
desabrocha: ela não tem pressa.
Eu, ao contrário,
quero colhê-la.
Um inseto voa
sobre os sulcos
que há pouco cavei,
e pousa perto dela;
contorna uma folha,
refresca-se
em um pingo d'água.
E parte.
Eu permaneço.
Os sulcos se ressecam,
e o vento
carrega a terra solta.
Noto que já estou velho
para colher flores.
Vinicius A. de Souza
Thoughts
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PermalinkOs sulcos que ele mesmo cavou secando enquanto ele fica ali me fizeram pensar em quem passa a vida preparando a terra pra uma colheita que sempre deixa pra depois. Aposto que o velho do poema não lamenta tanto a flor quanto o tempo gasto cavando, e mesmo assim ficou pra ver o vento levar a terra, o que já diz muito dele.
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PermalinkEsse velho que fica enquanto o inseto vai embora parece gente que eu conheço. Quer a flor, mas a flor tem o tempo dela e ele já não tem o mesmo.
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