Dou um trago
E trago à memória a dor
De um amor não recebido,
E a fumaça me convida a rever
Fatos antigos.
E ela, que é velha companheira,
Que já andou tantas estradas,
Tantas bocas e de tantas maneiras,
Me mostra que é de praxe ser assim.
Uma tontura desvairada na cabeça,
Os olhos lacrimejam,
Tentando encontrar sentido em algo incerto.
E o cachorro, ao me olhar,
Incompreende o sofrer
Deste moço esquisito,
E observa ela a me consolar —
Ela que me ensina
Que ainda há muita estrada
Para atravessar.
Uma criança atravessa o sinal.
A fumaça vai ao encontro
De um velho moço,
Que ainda hoje não aprendeu
A atravessar a vida.
E ela me solta como a
Música ao desligar o rádio,
Mas fica na mente,
Grudado o cheiro no corpo
E em tudo que sente…
A criança me sorri, pede uma bala
E volta a andar por aí.
Por Guilherme Souza