Paciência cheira a pressa.
Eu não tenho paciência.
Eu sou urgência.
Quero tudo hoje,
agora,
no mesmo minuto.
Às vezes
de um jeito exagerado
sinto vontade
de arrancar a própria pele,
passar na frente do tempo,
alcançar uma resolução qualquer.
Arrancar a dor
que martela por dentro,
no interno da matéria.
Quem me vê diz que sou paciente.
Exalo calmaria.
Eu respondo: é só aparência.
Porque é.
Ainda estou aprendendo
que não é no meu tempo.
É no tempo do tempo.
A espera é necessária
pro movimento,
pra verdade.
E não adianta querer sabotar —
o tempo não se sabota.
Não dá pra alterar os fatos.
No fim,
o que é pra acontecer, acontece.
No movimento,
na espera,
mesmo com a urgência gritando.
No tempo do tempo,
que não se apressa.
Às vezes me pergunto,
enquanto me remexo por dentro:
por que tanta pressa?
Na maioria das vezes
nem sei pra onde corro,
nem por quê.
Só quero.
Aí lembro
que tenho vinte e poucos anos.
Que aos doze
eu já estava na pista.
E pra onde?
Qual o sabor disso tudo?
Enquanto eu estava sem ar,
com pressa,
vi a vida continuar.
Porque ela continua.
Com ou sem a corrida
que insisto em travar.
Com ou sem mim.
Ela continua.
Queria saber
o dia,
o horário
e o lugar
em que vou
aprender isso.
Poema autoral