Paro a observar
o campo da alma terrena.
Há dias de luz,
de áurea de amor,
de silêncio acolhedor,
como se a própria existência
repousasse em paz sobre o peito.
Mas há também dias de enfado,
de desalento e desamor.
E então vem a afronta,
feito calor sobre a terra seca,
rompendo a comodidade,
desfazendo o repouso
daqueles que me interpelam
com a própria dor
daquilo que lhes falta:
amor.
Talvez nem toda afronta
seja sobre aquele que a recebe.
Às vezes,
o que nos fere
é apenas a dor do outro
procurando um lugar
onde possa ser reconhecida.
E há almas que,
sem saber amar a própria ferida,
tentam ferir o mundo
com aquilo que sangra dentro delas.
Por isso observo.
Não para justificar o que machuca,
nem para carregar dores que não são minhas,
mas para compreender
que cada alma é um campo:
há terras áridas,
há jardins escondidos,
há sementes esperando chuva,
e há lugares onde o amor
ainda não aprendeu a nascer.
E talvez amadurecer seja isso:
não permitir que a aridez do outro
transforme em deserto
o campo que Deus ainda cultiva em nós.
Edidania 🌹