Quando Jesus caminhava entre as pessoas e realizava curas, em algumas ocasiões, fazia perguntas que nos levam a uma profunda reflexão. Em João 5:6, diante de um homem enfermo havia 38 anos, perguntou: “Queres ficar são?”
Mas por que perguntar algo que parecia tão evidente?
Talvez porque, por trás daquela pergunta, existisse uma questão que ultrapassava a própria enfermidade: a disposição para viver uma nova realidade.
A mudança exige mais do que desejar que as coisas sejam diferentes. Exige disposição para abandonar velhos hábitos, rever comportamentos, reconhecer as próprias limitações e renunciar àquilo que nos faz mal.
Muitas vezes, pedimos a Deus que transforme nossa vida, mas resistimos às mudanças que essa transformação exige. Queremos os resultados, mas nem sempre estamos dispostos a percorrer o caminho. Pedimos cura, mas insistimos em alimentar aquilo que nos adoece. Queremos liberdade, mas continuamos abraçados às correntes que nos aprisionam.
É importante compreender que nem toda cura depende exclusivamente da vontade humana. Há sofrimentos que não escolhemos, enfermidades que não provocamos e dores que não desaparecem simplesmente porque desejamos. Jesus também curou pessoas sem lhes fazer essa pergunta. Portanto, não podemos concluir que alguém permanece enfermo por falta de fé, de vontade ou de disposição para mudar. A graça de Deus não é um prêmio reservado aos que conseguem mudar sozinhos, e o sofrimento humano não deve ser transformado em culpa.
Entretanto, quando se trata das mudanças que estão ao nosso alcance, precisamos reconhecer nossa responsabilidade.
Deus pode nos chamar para uma nova vida, mas não podemos continuar escolhendo, conscientemente, tudo aquilo que nos mantém presos à velha realidade.
A pergunta, portanto, permanece atual: você realmente quer mudar? Está disposto a rever suas escolhas, abandonar o que lhe faz mal e permitir que a transformação comece também dentro de você?
Porque, às vezes, não é a ausência de oportunidades que nos mantém no mesmo lugar, mas a resistência em deixar para trás aquilo que já conhecemos.
Querer mudar é o começo. Ter coragem para dar os passos necessários é parte do caminho.
E a verdadeira transformação não consiste apenas em deixar de viver como antes, mas em aprender a viver de uma maneira nova.
A reflexão que fica é esta: não podemos controlar todas as circunstâncias da vida, tampouco determinar o tempo ou a forma como uma cura acontecerá. Mas podemos examinar o próprio coração, reconhecer aquilo que precisa ser transformado e nos tornar disponíveis para os passos que estão ao nosso alcance.
Afinal, há momentos em que a pergunta de Jesus continua ecoando em nossa consciência: “Queres ficar são?”
Não apenas das enfermidades do corpo, mas também das atitudes, dos hábitos e das escolhas que nos afastam da vida que poderíamos construir.
E você, está disposto a viver a transformação que tanto pede a Deus?
Edidania 🌹