esse foi o meu conto da sexta e a regra é uma por semana, então ficou tu mesmo. gostei muito da parte da gula engasgando na própria ambição.
Os 7 pecados
E diante de mim, invisível e paciente, a morte sorria como uma mulher esperando sua vez de dançar.
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Pensamento
esse foi o meu conto da sexta e a regra é uma por semana, então ficou tu mesmo. gostei muito da parte da gula engasgando na própria ambição.
Conteúdo da publicação
O sol nascia cruel sobre o vale.
Não era uma luz suave de amanhecer, mas um fogo bruto descendo do céu como castigo divino. O calor queimava a pele antes mesmo do meio-dia, fazendo o horizonte tremer em ondas distorcidas.
Aquele lugar parecia esquecido por Deus.
Ou pior.
Parecia um lugar construído pelas mãos do próprio diabo.
O chão seco rachava sob minhas botas, e o vento carregava poeira vermelha como se o vale inteiro sangrasse lentamente há séculos.
Mantive a mão próxima ao Colt preso à cintura.
Pesado.
Velho.
Confiável.
Diferente da minha alma.
Minha alma já estava podre havia muito tempo.
Sem cura.
Sem absolvição.
Ao longe, ouvi o primeiro som.
Cascos.
Lentos.
Ritmados.
Mortais.
Então a poeira apareceu no horizonte.
Sete cavaleiros.
Descendo pela ladeira como sombras arrancadas de algum pesadelo antigo.
Não precisei perguntar quem eram.
Homens como eu aprendem cedo a reconhecer a chegada da condenação.
Abri o tambor do revólver.
O clique metálico ecoou seco no silêncio do vale.
Contei as balas uma a uma.
Seis.
Só seis.
Olhei novamente para os cavaleiros.
Sete homens.
Sete pecados.
E apenas seis chances de impedir que todos chegassem até mim.
Sorri sem humor.
A matemática da morte nunca foi justa.
O ferro do revólver estava frio em minha mão.
Mas o suor escorria quente pelas minhas costas.
E diante de mim, invisível e paciente, a morte sorria como uma mulher esperando sua vez de dançar.
Respirei fundo.
— Tenho seis balas no tambor... — murmurei para mim mesmo. — E sete pecados para acertar.
O vento soprou forte entre as pedras.
— A conta não fecha.
Minha mão apertou o cabo da arma.
— Então alguém vai ter que sobreviver.
Os cavaleiros avançaram.
E eu comecei a dar nomes às balas.
A primeira era para a ganância.
A segunda, para a traição.
A terceira, para o orgulho.
A quarta, para a paixão que destrói homens mais rápido que qualquer faca.
A quinta carregava rancores antigos.
A sexta...
A sexta eu ainda não sabia.
Porque existia sempre um pecado que ninguém consegue matar.
O primeiro disparo cortou o vale como um trovão.
A inveja caiu do cavalo antes mesmo de entender que estava morta.
O segundo tiro veio rápido.
A ira tombou na poeira sem tempo sequer para amaldiçoar meu nome.
A gula avançou gritando, faminta por sangue.
Recebeu chumbo no peito e caiu de joelhos, engasgando na própria ambição.
A preguiça mal reagiu.
Morreu como viveu.
Tarde demais.
Os corpos começaram a se acumular na terra seca.
A fumaça da pólvora subia preguiçosa sob o calor infernal do sol.
Mas então o silêncio mudou.
Os outros cavaleiros recuaram.
Como servos abrindo caminho para algo pior.
O último homem desmontou do cavalo devagar.
Calmo.
Sem medo.
Sem pressa.
As botas dele tocaram o chão como se aquele vale lhe pertencesse desde o início do mundo.
Ergui o revólver.
O tambor girou vazio.
Nenhuma bala restante.
O homem sorriu.
E naquele sorriso havia algo antigo.
Algo familiar.
Algo terrível.
Ele caminhou até parar diante de mim.
Os olhos dele eram iguais aos meus.
O mesmo cansaço.
A mesma podridão escondida atrás da calma.
Então compreendi.
Ele não era apenas mais um pecado.
Era o primeiro.
O mais velho.
O pai de todos os outros.
O pecado original.
E diferente dos demais...
ele nunca precisou de arma para matar.
Thoughts
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PermalinkBom dia. Levei dois dias nesse texto, li devagar como leio tudo, e voltei duas vezes na parte em que ele começa a dar nome às balas.
Trabalhei vinte anos em garagem de ônibus e conheci um homem que contava tudo assim, peça por peça, pra não ter que falar do que fez. O seu pistoleiro é ele de chapéu. Fiquei com uma dúvida séria: o último cavaleiro chegou a falar, ou você quis ele calado até o fim?
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Permalinka bala da paixão que destrói homem mais rápido que faca foi a que me pegou, véi. eu visito casa o dia inteiro e já vi isso acontecer sem tiro nenhum, só com gente sentada na cozinha.
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PermalinkCopiei no caderno a frase da morte esperando a vez dela de dançar, às três da manhã, na portaria. Depois disso não consegui ler mais nada e fiquei olhando a rua vazia até o turno virar. Ela aparece uma vez só e some. Tu pensou nela como personagem ou como jeito de falar?
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Permalinktua história inteira não tem uma casa, só vale e pedra. eu vendo casa, fiquei estranhando e gostei
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PermalinkTem um rapaz que para na minha banca de moto toda terça e só compra revista de arma e faroeste velho. Essa tua história é pra ele, égua, eu já separei na cabeça. Li entre um cliente e outro e perdi a conta de quantas vezes tive que parar, e voltei em todas. Na cena em que os outros recuam tu deixou dois vivos. O que foi feito deles?
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Permalinkfiquei com a alma podre, sem cura e sem absolvição. tem gente que senta na minha cadeira carregando uma coisa só e conta igual, sem detalhe.
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Permalinkesse foi o meu conto da sexta e a regra é uma por semana, então ficou tu mesmo. gostei muito da parte da gula engasgando na própria ambição.
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PermalinkFoi a minha filha que me mandou isto. O último a desmontar é ele próprio mais velho, ou é outra pessoa? Ela diz uma coisa e eu digo outra.
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PermalinkDeu oito e meia bem na parte da sexta bala que ele não sabia. Fiquei com isso até a hora de dormir e voltei no dia seguinte.
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Permalinkdeu duas esperas na porta do restaurante e eu terminei. a sexta bala era pra qual pecado na tua cabeça? cê chegou a decidir?
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