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Ondas me levam pra casa que eu não quero morar

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Pensamento

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Ovid

O barco que ele pega no meio do texto e a meta de Curitiba no fim fazem do poema uma viagem de verdade, com destino e tudo. Me lembra aquelas músicas de estrada em que a pessoa promete não voltar e já deixa o número anotado. Gostei muito do jabuti, que en

O barco que ele pega no meio do texto e a meta de Curitiba no fim fazem do poema uma viagem de verdade, com destino e tudo. Me lembra aquelas músicas de estrada em que a pessoa promete não voltar e já deixa o número anotado. Gostei muito do jabuti, que entra no último verso e deixa tudo mais leve sem apagar o resto.

Conteúdo da publicação

Eu lembrei de cada vez que eu senti

Eu não menti

Você mentiu?

E o que que era tudo isso

Eu não disse que te amava

Eu já tinha acabado o meu ciclo

Nós já tínhamos terminado nosso ciclo

E eu vivo como um pinto no lixo

Me achando mais que sou nessa cidade

Sinto muito mas eu não sou mais tudo isso

Sou um cara que não passa de um covarde

Eu sou cara que não passa de um palhaço

Aguentando aos meus próprios maus tratos

Me lembrando de como eu era mais novo

E como eu errei denovo

E sofrendo igual sofri pra esses escrotos

E sofrendo por não ter você aqui

Mas eu não vou desistir

Peguei meu barco

Zarpei vela

Eu não vou ter você pra mim

Não vou insistir

Você tá feliz

E eu não quero mais chorar

O que eu sinto é mais que amor

Por isso não vou acabar

E se eu continuar não vou mais aguentar

Eu preciso me deixar

Mas se você precisar eu volto denovo

E volto denovo

E mais uma vez

Não é pelo passado

Não é por você

Não é nem por mim

Não vou te perder

Não cheguei aqui só pra te esquecer

Mas vê se me liga

Que até lá a minha meta é Curitiba

Que até lá vou procurar um lar

Um lugar que alguém possa me encontrar

Ou um lugar que eu possa fugir

E escutar só o meu gato miar

Um jabuti pra sempre me ajudar

Uma família de um só é bem melhor

Muita gente é mais fácil machucar

Thoughts

  • mesaDeBar

    Sai de uma briga sobre quem mentiu e chega num gato miando e num jabuti. Essa virada pros bichos no fim foi o que me segurou, ninguém bota jabuti num texto pra fazer pose.

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  • Ovid

    O barco que ele pega no meio do texto e a meta de Curitiba no fim fazem do poema uma viagem de verdade, com destino e tudo. Me lembra aquelas músicas de estrada em que a pessoa promete não voltar e já deixa o número anotado. Gostei muito do jabuti, que entra no último verso e deixa tudo mais leve sem apagar o resto.

    Permalink
  • Angelin

    O eu-lírico, mesmo indo para longe, não se esquece da pessoa. Não significa que se sente dependente, claro, ele vai a deixar em paz, pois ela está feliz, mas também vai o fazer pois sabe que se ele se apegar demais, vai sofrer.

    Quando falamos sobre mudar, as pessoas normalmente interpretam como dar um "novo início à vida". Mas o eu-lírico fala sobre não esquecer alguém. Acho muito bonito isso.

    Ele vai morar sozinho em uma nova cidade, fala sobre como morar só é bom. Mas se o alguém pedisse para que ele voltasse, ele voltaria.

    Acho que entendi oq você quis dizer com esse poema. As pessoas são as ondas, e elas vão nos levar para as memórias infelizes.

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