SOL D’ESTIO
É bom sair depois d'um aguaceiro
E ir topar com o sol luzindo poças.
Sentir o mormaço úmido das roças,
Enquanto o gado muge sobranceiro.
Ainda pelos brejos do terreiro,
Pescar umas piabas lá nas fossas,
Na iminência de novas chuvas grossas
Com nuvens negras vindo a cavaleiro.
É bom rever o azul depois de dias,
Ao voltar a cruzar as cercanias
E encher sacos de manga já de vez.
A gente sente a vida mais vivida
Quando o sol estas horas encomprida
N’uma alegria quente e sem talvez.
Sobrália - 16 12 1992