Eu contrato você,
te convido para a minha casa.
Te sirvo um vinho suave e
apago todas as luzes do apartamento.
Quebrei suas expectativas,
não a chamei para isso.
Sentei no chão daquela grande sala
e pedi para que se sentasse também.
Falei do buraco que se abriu em meu peito.
sem alarde, sem data marcada,
só foi crescendo quieto
como mofo atrás de quadro.
Você me ouviu.
Eu disse:
“As vezes o sexo é só uma desculpa
pra alguém ficar mais duas horas.”
Você riu baixo, sem julgamento.
O vinho acabou, que droga!
Você não tirou a roupa,
eu não pedi.
Nos abraçamos, te paguei um Uber.
Tchau.
Janeiro, 2026. Karla off dutty.