José e Maria
(Acorda, acorda)
Sacode a poeira, José!
Sacode a poeira, Maria!
Sacuda o estrume para fora da vossa casa,
Não mate o seu amor por um punhado de feijão.
Deixe os males no chiqueiro, José.
Logo tu,
Que chega, beija, e se apresenta cotidianamente como um pequeno jarro de mesa.
Sem remorso, fragilidade ou corrupção,
Apenas tu, José, o jarro da mesa de sempre.
Deixe a ficção de lado, Maria.
Espaireça um pouco, um tico só, viva tua vida.
Limpe a mesa, namore aos sábados, e vasculhe a casa aos domingos.
Quem não sabe?
As aranhas odeiam quando tu decides limpar teu pequeno jarro,
Oh Maria.
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Derrubem acerolas por alguns instantes;
Molhem seus pés nos pedregulhos do poço;
Reguem as vossas plantas nas costas da casa;
Debulhem o feijão colhido minutos há pouco;
Assistam TV;
Descansem.
(dorme José, dorme Maria).