Pular para o conteúdo
Carregando…

O Silêncio Entre Nós

mandydark
Pública 8 conversas 15 pensamentos 62 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Nanda tinha 16 anos e carregava mais perguntas do que respostas.

In groups

Pensamento

Pensamento

fsantos1307

As mensagens a ficarem só um tudo bem de vez em quando, isso passou-se comigo com um amigo da escola. Ninguém decidiu nada, foi acontecendo.

As mensagens a ficarem só um tudo bem de vez em quando, isso passou-se comigo com um amigo da escola. Ninguém decidiu nada, foi acontecendo.

Conteúdo da publicação

Nanda tinha 16 anos e carregava mais perguntas do que respostas.

Quando estava sozinha no quarto, o mundo parecia pesado demais. Passava horas olhando para o teto, pensando: “Quem sou eu, afinal? Será que eu importo pra alguém? Será que eu sou suficiente?”. A mente dela era um turbilhão — pensamentos girando sem parar, coração acelerando de repente, mãos suadas, sensação de que tudo ia desmoronar. Era a ansiedade apertando o peito, dizendo que ela não era boa o suficiente, que era melhor se esconder.

Ela preferia o canto, as sombras, o silêncio. Falar com pessoas novas dava frio na barriga e vontade de desaparecer. Por isso, tinha pouquíssimos amigos — mas os que tinha, guardava com a vida.

Havia a melhor amiga, Mariana. Elas cresceram juntas, dividiam segredos, risadas, sonhos. Mas há um ano, Mariana se mudou para outra cidade. No começo, trocavam mensagens o dia todo. Com o tempo, as conversas foram ficando mais curtas, mais espaçadas, até virarem apenas um “tudo bem?” de vez em quando. Nanda olhava as fotos antigas e sentia um buraco no peito, mas nunca dizia o quanto sentia falta. Tinha medo de incomodar, de ser esquecida de vez.

E havia ele — Lucas.

Lucas era o único que conseguia fazê-la sorrir sem nem tentar. Ele sentava ao lado dela na aula, dividia lanche, ouvia seus silêncios como se fossem histórias. Era o melhor amigo do mundo. E Nanda… Nanda o amava mais do que conseguia explicar.

Mas nunca disse nada.

Quando ele olhava nos olhos dela, ela desviava o olhar. Quando ele falava de outras garotas, ela sorria e dizia “que legal”, enquanto o coração doía. Quase escreveu milhares de mensagens, mas apagou todas. “Ele nunca vai gostar de alguém como eu”, pensava. “Sou estranha, insegura, confusa. Vou estragar tudo se falar”.

As crises vinham de noite, quando o mundo ficava quieto. Ela questionava seu lugar, seu valor, se algum dia conseguiria ser feliz de verdade. Lucas notava que ela sumia às vezes, mas ela sempre dizia que era só cansaço. Ele perguntava se estava tudo bem, e ela respondia que sim, mesmo quando não estava.

Um dia, estavam sentados no banco da praça, onde sempre ficavam. O sol se punha e tingia o céu de laranja e roxo. Lucas falava sobre o futuro, sobre faculdade, sobre lugares que queria conhecer. Elisa o ouvia, admirando o brilho nos olhos dele.

— E você, Nanda? — ele perguntou, virando-se para ela. — O que você quer?

Ela abriu a boca, mas as palavras fugiram. Queria dizer: “Quero você. Quero não ter medo. Quero que Mariana esteja aqui. Quero saber quem eu sou”. Mas só conseguiu baixar o olhar e murmurar:

— Não sei ainda.

Lucas ficou em silêncio por um instante. Depois, disse baixinho:

— Tudo bem não saber. Eu espero. O que você sente, não é um peso que precisa carregar sozinha, sabia?

Nanda sentiu os olhos encherem de lágrimas. Pela primeira vez, alguém parecia enxergar além do silêncio dela.

— Eu tenho medo — sussurrou, quase sem voz. — De tudo. De não ser suficiente. De perder você também.

Lucas se aproximou um pouco, sem pressionar.

— Você nunca vai me perder. Não importa o que aconteça. E você é suficiente, do jeitinho que é. Com todos os medos e dúvidas.

Ela não disse que o amou. Ainda não conseguiu. Mas levantou o olhar e sorriu, de verdade, pela primeira vez em muito tempo. E segurou a mão dele, devagar. Ele apertou de volta, suave.

Mais tarde, naquela noite, ela escreveu uma mensagem para Mariana. Não foi curta nem simples. Disse que sentia falta, que doía a distância, que precisava dela. E apertou o botão de enviar, sem apagar.

Ainda havia dúvidas, ainda havia medo. O vazio não desapareceu de uma hora para outra. Mas agora ela sabia: não precisava carregar tudo sozinha. E talvez, só talvez, um dia tivesse coragem de dizer tudo o que sentia.

Terá continuação ou não ? depende de vocês

Thoughts

  • poeta93

    Ó, o botão de enviar sem apagar vale mais que qualquer declaração pro Lucas. Ela se moveu, meu rei, e foi pro lado certo.

    Permalink
  • fsantos1307

    As mensagens a ficarem só um tudo bem de vez em quando, isso passou-se comigo com um amigo da escola. Ninguém decidiu nada, foi acontecendo.

    Permalink
  • cadernoPreto

    Ela responde que é só cansaço e o Lucas engole. Deve ser assim mesmo com quem olha de fora, a gente treina essa resposta muito antes de precisar dela.

    Permalink
  • Ovid

    Essa hora em que ela escreve a mensagem para a Mariana e não apaga me fez pensar nas conversas que a gente deixa morrer sem querer, só de medo de incomodar. Aposto que o Lucas dizendo que espera foi a parte mais difícil de escrever. Que bom ter você por aqui, e já com um texto desse tamanho!

    Permalink
  • uemerson

    Nanda é timida.Não tem confiança nela mesma.Os timidos são assim,enquanto não adquirirem confiança em si mesmo.

    Anteciparam as coisas,sem saber como seriam de verdade.

    Essa nanda é um personagem ou uma pessoa real que passou por isso?

    Permalink
  • cadernoDeMargem

    A Nanda escreveu mil mensagens e apagou todas, e no fim da noite escreveu uma comprida e mandou. Essa virada é a história inteira pra mim, o resto é cenário. Aposto que a resposta da Mariana demorou uns dias e que isso quase fez ela se arrepender de ter mandado.

    Permalink

Related posts

  • Eu tenho raiva de mim

    Eu tenho raiva de mim.

  • Remorso em brasa

    Ele viu a balança pender para o lado errado,

  • Manuscrito das três faces

    Vagantes condenados: Iblis

  • Por favor...

    Não consigo, não. As lembranças sempre vêm como uma visita indesejada que bate à porta até que seja aberta.

  • Desconhecido dos sonhos

    tudo começou em uma simples noite quando adormeci você vinha me visitar um sonho tão realista encantador era porque você estava lá.

  • O analfabetismo poético

    Essas palavras me tocaram fundo

  • Meu enamorado

    As vezes, surge em mim o vago pensamento de desprender-me de tudo... A desesperança em enamorar outras pessoas, principalmente nos dias de hoje, faz-me refletir bastante. Só consigo encontrar amor…

  • POEMAS

    Poemas que faço tantas coisas me dizem.