A regra de tratar os outros como queremos ser tratados é bem anterior, aparece em Confúcio e em Hillel, por exemplo. Concordo com quase tudo o que o amigo diz sem partilhar a fé dele, e isso parece-me bom sinal.
O que signica estar vivo?? Pergunta Sem resposta
Pensamento
A regra de tratar os outros como queremos ser tratados é bem anterior, aparece em Confúcio e em Hillel, por exemplo. Concordo com quase tudo o que o amigo diz sem partilhar a fé dele, e isso parece-me bom sinal.
Conteúdo da publicação
A vida é hoje: uma conversa entre dois amigos
— Amigo, posso te fazer uma pergunta?
— Claro! Pode perguntar.
— Você já parou para pensar que a vida é hoje?
— Já ouvi muito essa frase. Mas confesso que nunca parei para pensar profundamente sobre ela. Por que está me perguntando isso?
— Porque, quando dizemos que a vida é hoje, parece algo simples, quase um clichê. Mas, se pararmos para pensar, existe muita coisa por trás dessas três palavras.
Estamos aqui, vivos, respirando, pensando, sentindo. Somos matéria viva, parte de algo muito maior do que conseguimos compreender. E essa matéria viva, que somos nós, tem uma oportunidade extraordinária: a oportunidade de viver.
— Mas o que significa realmente viver? — perguntou o amigo.
— Talvez seja justamente isso que precisamos descobrir. Porque viver não é apenas acordar, trabalhar, pagar contas, cumprir obrigações e dormir para começar tudo novamente no dia seguinte.
Viver também é amar, correr, abraçar, sorrir, chorar, aprender, ensinar, conhecer pessoas e construir histórias. É olhar para alguém e perguntar: “Bom dia, tudo bem? Como vai a vida? Será que chove hoje? Tempinho doido, né?”
Parece pouco, não parece?
— Parece — respondeu o amigo, sorrindo. — Mas são justamente essas pequenas conversas que aproximam as pessoas.
— Exatamente! Às vezes, a gente procura grandes motivos para ser feliz e esquece que a vida também acontece nas coisas mais simples. Um bom dia sincero, um abraço apertado, uma conversa inesperada ou um sorriso oferecido a alguém que talvez esteja passando por um dia difícil.
E, em meio a tudo isso, existe algo que não podemos esquecer: o respeito pelo próximo.
— Você falou em próximo. Mas quem é o nosso próximo? — perguntou o amigo.
— Boa pergunta! Será que é somente quem conhecemos? Quem mora perto, quem faz parte da nossa família ou quem pensa como nós?
Talvez nosso próximo seja também aquele desconhecido que cruza nosso caminho por alguns segundos. Alguém que nunca mais veremos, mas que, naquele breve encontro, pode receber de nós uma palavra, um gesto ou uma gentileza que faça diferença.
Deus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos. E talvez possamos compreender esse ensinamento de uma maneira simples: ame a si mesmo e trate as pessoas como gostaria de ser tratado.
Afinal, não sabemos o que cada pessoa carrega dentro de si. Por trás de um sorriso pode existir uma tristeza. Por trás de uma brincadeira pode haver uma preocupação. E por trás de alguém que parece estar bem pode existir uma luta que ninguém conhece.
Por isso, respeitar, acolher e fazer o bem nunca deveria ser algo tão difícil.
— Sabe, amigo, ouvindo você falar, comecei a pensar em outra coisa — disse o amigo. — Será que a morte é realmente o fim?
A pergunta ficou no ar por alguns instantes.
— Eu não sei — respondeu o outro. — E acredito que ninguém possa afirmar com absoluta certeza todas as respostas sobre o que existe depois da morte.
Mas, independentemente daquilo em que acreditamos, existe uma coisa que sabemos: estamos aqui agora.
E isso, por si só, já merece reflexão.
Pensa no tamanho do universo, na imensidão do espaço, nas estrelas, nos planetas e em tudo aquilo que ainda desconhecemos. Até hoje, não temos confirmação de vida fora da Terra. Não sabemos se a vida é rara ou se existem outras formas de vida espalhadas pelo universo.
Mas aqui estamos nós.
Seres capazes de olhar para o céu e fazer perguntas sobre a própria existência. Capazes de amar, sentir saudade, criar, sonhar e tentar compreender o significado de tudo isso.
E então me pergunto: o que estamos fazendo com nosso curto tempo de existência?
Porque, se pensarmos bem, o tempo humano tem validade. Não sabemos quanto tempo temos, nem quando chegará o momento de escrever nossa última página.
É como se tivéssemos recebido um contrato de vida cuja data de vencimento desconhecemos.
— Nunca tinha pensado dessa maneira — disse o amigo.
— E existe algo ainda mais interessante: não podemos repetir o tempo que passou.
Podemos recordar o passado, aprender com nossos erros e sentir saudade dos momentos que vivemos. Podemos até reencontrar as mesmas pessoas e voltar aos mesmos lugares. Mas aquele instante exato nunca mais será nosso.
O tempo passa. Nós mudamos. As pessoas mudam. E cada momento que vivemos se torna parte de uma história que não pode ser reproduzida exatamente da mesma maneira.
Por isso, cada novo dia é como uma página em branco.
Uma nova oportunidade de escrever algo diferente, de corrigir uma atitude, de pedir perdão, de dizer que amamos alguém, de recomeçar ou simplesmente de fazer melhor aquilo que ontem não conseguimos fazer.
Não podemos reescrever as páginas que já passaram, mas ainda podemos escolher o que escrever nas próximas.
— Mas nem todos os dias são bons — observou o amigo.
— É verdade. E talvez seja importante entender que viver não significa ser feliz o tempo inteiro.
Existem dias difíceis, perdas, decepções, preocupações e momentos em que parece que nada dá certo. Existem situações que não podemos mudar, por mais que desejemos.
Mas até nesses dias podemos encontrar alguma possibilidade de aprendizado, uma pequena razão para continuar ou alguém com quem dividir o peso que estamos carregando.
A vida não exige que todos os dias sejam extraordinários. Às vezes, tudo o que conseguimos fazer é levantar da cama, cumprir nossas responsabilidades e seguir em frente. E isso também tem valor.
O importante é não permitir que a preocupação com o amanhã nos faça esquecer completamente o hoje.
Quantas vezes deixamos de abraçar alguém porque acreditamos que haverá outra oportunidade? Quantas vezes adiamos uma conversa, um pedido de desculpas ou uma demonstração de carinho?
Quantas vezes esperamos ter mais dinheiro, mais tempo, mais conquistas ou uma vida perfeita para, finalmente, começar a viver de verdade?
E se esse momento perfeito nunca chegar?
— Então você está dizendo que precisamos aproveitar cada segundo? — perguntou o amigo.
— Não exatamente. Não precisamos transformar a vida em uma corrida contra o relógio, como se tivéssemos a obrigação de fazer tudo antes que seja tarde.
Precisamos trabalhar, planejar, construir nosso futuro e cuidar das nossas responsabilidades. O amanhã também importa.
Mas existe uma diferença entre preparar o futuro e esquecer de viver enquanto tentamos alcançá-lo.
Podemos passar tanto tempo preocupados com aquilo que ainda não conquistamos que acabamos não percebendo tudo aquilo que já temos.
E não estou falando apenas de bens materiais. Estou falando das pessoas que caminham ao nosso lado, das oportunidades que surgem, das experiências que nos transformam e dos pequenos momentos que, muitas vezes, só reconhecemos como preciosos depois que passam.
A vida não é apenas sobre quanto tempo temos, mas também sobre o que fazemos com o tempo que nos foi dado.
— E se não soubermos o que fazer com esse tempo? — perguntou o amigo.
— Talvez possamos começar pelas coisas mais simples.
Tratar as pessoas com respeito. Ser honestos com nós mesmos. Ter coragem de reconhecer os próprios erros. Não ter vergonha de pedir ajuda. Demonstrar carinho enquanto temos a oportunidade. Valorizar quem está ao nosso lado. E não esquecer que também merecemos cuidado, paciência e amor.
Não precisamos mudar o mundo inteiro para tornar nossa passagem por ele significativa. Às vezes, basta melhorar um pequeno pedaço dele, começando pelas nossas próprias atitudes.
Porque nunca sabemos o alcance de um gesto. Talvez uma palavra nossa ajude alguém a continuar. Talvez um sorriso torne o dia de outra pessoa menos pesado. Talvez uma atitude de respeito ensine mais do que um longo discurso.
E talvez, quando chegar o momento de olhar para trás, a importância da nossa história não esteja apenas no que conquistamos, mas também na maneira como fizemos outras pessoas se sentirem durante a nossa passagem.
O amigo ficou em silêncio por alguns segundos. Depois, olhou para o céu e perguntou:
— Então, se a vida tem começo e fim, se não sabemos quanto tempo temos e se não podemos repetir os momentos que passaram, qual é a conclusão de tudo isso?
O outro sorriu.
— Talvez não exista uma única conclusão. Talvez cada pessoa precise encontrar seu próprio sentido para a existência.
Mas uma coisa me parece importante: não sabemos quantas páginas ainda temos disponíveis.
O ontem já foi escrito. O amanhã ainda não conhecemos. E o hoje é a página que está diante de nós, esperando nossas escolhas.
Podemos preenchê-la com ressentimento ou tentar encontrar espaço para o perdão. Podemos desperdiçá-la julgando os outros ou utilizá-la para compreender melhor as pessoas. Podemos passar o dia inteiro reclamando da vida ou, mesmo em meio às dificuldades, reconhecer alguma coisa pela qual vale a pena agradecer.
Nem sempre teremos o controle sobre aquilo que acontece conosco. Mas, dentro das nossas possibilidades, podemos escolher como queremos agir diante da vida e das pessoas.
E, enquanto estivermos aqui, ainda haverá a oportunidade de aprender, mudar, amar e fazer diferente.
O amigo respirou fundo e respondeu:
— Engraçado... Começamos falando de uma frase tão simples: a vida é hoje. E terminamos falando sobre o universo, a morte, o tempo e o sentido de existir.
— Talvez porque as perguntas mais profundas da vida estejam escondidas nas coisas mais simples — respondeu o outro.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes.
Não era um silêncio de tristeza, nem de quem havia encontrado todas as respostas. Era apenas o silêncio de duas pessoas que, por alguns minutos, haviam parado de correr para pensar sobre algo que muitas vezes passa despercebido: o fato de estarem vivas.
E talvez seja justamente isso que precisamos fazer de vez em quando.
Parar.
Olhar para nós mesmos, para as pessoas ao nosso redor e para o mundo do qual fazemos parte.
Lembrar que nossa existência tem limites, que o tempo não volta e que não sabemos quando chegará a última página da nossa história.
E, mesmo sem conhecer todas as respostas, compreender que ainda temos a oportunidade de fazer alguma coisa boa com o tempo que nos resta.
Porque, no fim, talvez a pergunta mais importante não seja apenas se a morte representa o fim de tudo.
Talvez a pergunta seja:
Enquanto estivermos vivos, o que estamos fazendo com essa oportunidade extraordinária que é existir?
O universo é imenso. Nossa existência, diante dele, pode parecer pequena. Não sabemos se somos os únicos seres vivos a fazer essas perguntas, nem se algum dia conheceremos todas as respostas.
Mas temos este momento.
Temos a possibilidade de sentir, pensar, amar, respeitar, aprender e deixar algo de bom pelo caminho.
Não precisamos esperar uma grande transformação para começar. Podemos começar com um bom dia, um abraço, uma conversa, um gesto de carinho ou uma atitude que torne o mundo um pouco melhor para alguém.
Afinal, não podemos voltar às páginas que já escrevemos. Não conhecemos as páginas que ainda virão. E não sabemos quando nosso contrato com a vida chegará ao vencimento.
O ontem é uma lembrança. O amanhã é uma possibilidade. E o hoje é a oportunidade que temos nas mãos.
Por isso, viva. Ame. Respeite. Aprenda. Recomece quando for preciso.
E não se esqueça:
A vida é hoje. Cada novo dia é uma página em branco. E o que escreveremos nela depende, em parte, de nós.
Respostas
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PermalinkA regra de tratar os outros como queremos ser tratados é bem anterior, aparece em Confúcio e em Hillel, por exemplo. Concordo com quase tudo o que o amigo diz sem partilhar a fé dele, e isso parece-me bom sinal.
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PermalinkBem-vindo, Julio! Esse diálogo começa com uma pergunta pequena e termina no universo, e o próprio amigo repara nisso no fim. Pra mim é o melhor sinal de que a conversa fiada sobre o tempo nunca foi tão fiada assim. Aposto que esses dois amigos existem fora do texto, ou pelo menos um deles. Que bom ter esse primeiro texto aqui :)
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PermalinkFiquei presa na imagem do contrato de vida sem data de vencimento. Nos contratos que conheço, a data é justamente a única coisa que nunca falta. Este parece-me antes uma renovação diária, o que bate certo com o título.
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A vida é hoje: uma conversa entre dois amigos