O paradoxo do amor reside nas barreiras que criamos sob o pretexto de proteger o outro e a nós mesmos. Convencionou-se que amar exige exclusividade, restrições e ciúmes — regras que, em tese, garantiriam a preservação do sentimento. Mas não seria justamente o oposto? Por que o amor por uma pessoa precisa anular a possibilidade de outros amores?
A infância nos mostra o contrário. A inocência de uma criança conhece o amor em sua forma mais pura: ela expande o sentimento distribuindo sorrisos. Celebramos uma criança que é aberta e carinhosa com todos, mas o tempo corrompe essa liberdade. Conforme crescemos, o isolamento e as feições fechadas silenciam essa linguagem universal. Nossos corações acabam marcados pela ideia insana de que o amor é um recurso escasso, um privilégio restrito a poucos "sortudos".
Será isso uma verdade ou uma mentira que aceitamos? Parece que proibimos o amor universal simplesmente porque o egoísmo humano não suporta ver o outro expandir seus afetos, preferindo o aprisionamento do ciúme e da melancolia à liberdade de amar sem barreiras.