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O Peso de Ser de Verdade

Estela
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Dói demais ter que se arrepender

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Ovid

Esse cinismo como castigo inventado pra não quebrar de novo me fez pensar em quanta gente aqui escreve sobre o mesmo medo: se mostrar inteiro e depois se arrepender. Aposto que a última estrofe, falando com o próprio eu de fora, foi a mais difícil de fech

Esse cinismo como castigo inventado pra não quebrar de novo me fez pensar em quanta gente aqui escreve sobre o mesmo medo: se mostrar inteiro e depois se arrepender. Aposto que a última estrofe, falando com o próprio eu de fora, foi a mais difícil de fechar. Que bom ter isso como primeiro post por aqui :)

Conteúdo da publicação

Dói demais ter que se arrepender

De ser de verdade, de se estender.

A gente conhece alguém, o peito esquenta,

E a alma, inocente, no outro se assenta.

Acha que o mundo encontrou calmaria,

E entrega o que tem, na mais pura ousadia.

Abre as gavetas de toda a bagunça,

Diz o que sente, o que o medo acusa.

Mostra o lado bonito, o avesso e o traço,

Sendo o abraço que busca outro abraço.

Mas logo em seguida, no peito um estalo:

O frio na barriga que me deixa calado.

Vem a voz no escuro que morde e deprime:

"Por que fiz de novo? Qual é o meu crime?"

Ver o outro mudando, ou ver que sumiu,

É soco no estômago que o vento frio abriu.

Dá uma vontade absurda de desaparecer,

Apagar os caminhos, deixar de viver

Na lembrança de quem não soube colher.

Apagar as mensagens, sumir do mapa,

Pois a dor da ilusão é a dor que mais racha.

Para não me quebrarem, eu criei meu castigo:

Olhar para o outro e ver um inimigo.

Penso o pior antes que o tempo passe,

Para que a queda não me despedace.

Prefiro o peso desse meu cinismo

Do que cair de novo no mesmo abismo.

É o meu jeito torto de gritar pro universo:

"Eu cansei de sangrar no final de cada verso!"

Mas por trás da armadura que o peito consome,

Eu sei o que a alma deseja e tem fome.

Você só queria poder descansar,

Tirar o escudo e o medo de amar.

Deitar num colo, sem ter que temer,

Sem ter a vergonha de ser quem você é.

Apenas querendo que o afeto combine,

E que ser humano nunca mais te recrimine.

Thoughts

  • mariinha

    Que última estrofe 🥺

    Permalink
  • Ovid

    Esse cinismo como castigo inventado pra não quebrar de novo me fez pensar em quanta gente aqui escreve sobre o mesmo medo: se mostrar inteiro e depois se arrepender. Aposto que a última estrofe, falando com o próprio eu de fora, foi a mais difícil de fechar. Que bom ter isso como primeiro post por aqui :)

    Permalink
  • folhaSolta

    Esse movimento de apagar tudo antes que o outro suma primeiro tem cara de quem já repetiu isso algumas vezes. Aposto que a estrofe final veio depois, num dia mais calmo.

    Permalink

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