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Capitulo 17- O começo

AllyneMaia
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Depois daquela conversa, senti como se finalmente tivesse colocado cada coisa em seu devido lugar.

Conteúdo da publicação

O começo

Depois daquela conversa, senti como se finalmente tivesse colocado cada coisa em seu devido lugar.

Pela primeira vez, olhei para o passado sem sentir arrependimento.

Não porque tudo tivesse sido perfeito.

Muito pelo contrário.

Havia escolhas das quais eu ainda não me orgulhava.

Havia momentos que gostaria de ter vivido de outra maneira.

Mas agora eu conseguia enxergar uma coisa que antes não conseguia:

todas aquelas escolhas também me trouxeram até aqui.

Cada erro.

Cada perda.

Cada decepção.

Cada vez que precisei recomeçar.

Tudo aquilo havia me transformado.

Eu não era mais a menina que esperava que alguém viesse dizer que ela era importante.

Eu havia aprendido a reconhecer meu próprio valor.

E, sentado ao meu lado, estava aquele homem que eu um dia conheci tão jovem.

Mas ele também havia mudado.

Eu conseguia enxergar maturidade nas palavras dele.

Não havia promessas grandiosas.

Não havia frases dizendo que tudo seria perfeito.

Havia apenas uma disposição sincera de viver o presente e descobrir, passo a passo, o que poderia existir entre nós.

Talvez fosse exatamente disso que eu precisava.

Não de certezas.

Mas de verdade.

Ficamos alguns instantes em silêncio.

Dessa vez, um silêncio confortável.

Então ele me olhou.

Aquele olhar parecia carregar tudo o que havíamos acabado de conversar.

Ele respirou fundo e perguntou:

— Posso te dar um beijo?

Meu coração acelerou.

Depois de tudo o que havíamos dito, aquela pergunta parecia simples.

Mas não era.

Ela carregava quinze anos de espera.

Olhei para ele e apenas assenti.

E aconteceu.

Um beijo breve.

Doce.

Calmo.

Sem pressa.

Não havia necessidade de provar nada.

Não havia urgência.

Era apenas um momento que os dois haviam imaginado muitas vezes, finalmente acontecendo diante da realidade.

Durou poucos segundos.

Mas, para nós dois, parecia carregar uma história inteira.

Quando nos afastamos, ele sorriu.

Eu também.

Não houve necessidade de dizer muito.

Talvez porque, naquele momento, algumas coisas simplesmente não precisassem de palavras.

Ele respirou fundo e disse:

— Eu realmente não quero deixar você ir embora.

Sorri.

Mas ele continuou:

— Só que eu sei que preciso te levar para casa.

Olhei para ele.

— Afinal, ainda temos muito para conhecer um do outro.

Aquela frase me fez sorrir ainda mais.

Era estranho.

Durante tantos anos, imaginei que o nosso reencontro precisaria responder a todas as perguntas.

Mas agora percebia que talvez algumas respostas não precisassem ser encontradas naquela noite.

Algumas poderiam ser descobertas com o tempo.

Ele se levantou e estendeu a mão para mim.

Segurei.

Quando me levantei, ele me abraçou.

E disse baixinho:

— Que a gente possa viver a nossa nova história.

Nossa nova história.

Aquelas palavras ficaram comigo.

Não era “voltar”.

Não era “recomeçar de onde paramos”.

Era começar algo novo.

Voltamos para o carro.

Dessa vez, o silêncio havia desaparecido.

O caminho até minha casa foi preenchido por risadas, brincadeiras bobas e histórias que pareciam surgir naturalmente.

Era curioso.

Há poucos minutos estávamos falando sobre quinze anos de mágoas e perguntas.

Agora estávamos rindo de coisas pequenas.

E talvez aquilo fosse um dos sinais mais bonitos de que alguma coisa havia mudado.

Não precisávamos mais carregar o peso do passado dentro de cada silêncio.

Podíamos simplesmente estar ali.

Presentes.

Conversando.

Rindo.

Conhecendo um ao outro novamente.

A estrada parecia mais curta na volta.

Talvez porque agora não houvesse mais ansiedade pelo que aconteceria naquela noite.

Havia apenas a sensação tranquila de que aquele não seria o fim.

Quando o carro finalmente se aproximou da minha casa, percebi que uma parte de mim queria prolongar aquele momento.

Mas outra parte sabia que ele estava certo.

Ainda havia muito para conhecer.

Muito para conversar.

Muito para descobrir.

E talvez fosse justamente isso que tornava tudo tão especial.

Não precisávamos correr.

Pela primeira vez, tínhamos tempo.

Ele parou o carro.

Olhei para ele.

Ele olhou para mim.

E sorrimos.

Naquela noite, eu não estava voltando para casa com uma promessa.

Estava voltando com uma possibilidade.

E talvez uma possibilidade fosse muito mais bonita do que uma promessa.

Porque promessas podem ser quebradas.

Mas possibilidades...

Possibilidades podem ser construídas.

Devagar.

Um dia de cada vez.

E, quando fechei a porta do carro, uma última certeza ficou dentro de mim:

a nossa história antiga havia terminado naquela noite.

E uma nova...

estava apenas começando.

Thoughts

  • academiadobairro

    Massa demais ele pedir licença pro beijo depois de quinze anos, em vez de só ir! E o carro voltando cheio de risada mostra que a conversa do 15 valeu 😄

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