O Brasil que sangra com a fome, o desemprego, o crime e a corrupção não é vítima do acaso; é o reflexo exato da omissão do seu próprio povo. Enquanto nos limitamos a lamentar a existência de maus políticos, fechamos os olhos para a verdade mais incômoda: a culpa pelo colapso do país é de cada cidadão que vota, cruza os braços e espera o milagre acontecer.
A conta da nossa passividade já chegou. Atingimos a marca absurda onde, economicamente, cada trabalhador com carteira assinada precisa sustentar mais de duas pessoas dependentes de recursos do Estado. Financiamos uma educação falida e um decréscimo vergonhoso na eficiência educativa para, no final, aceitarmos tudo calados. O brasileiro transformou a indignação em meme e a fiscalização em preguiça e indolência.
Governantes incompetentes, injustos e corruptos só prosperam onde a população é “mansa” ou conivente. Enquanto o cidadão se recusar a cobrar diariamente os seus representantes, continuará sendo cúmplice da sua própria ruína. A crise brasileira não é política; é de postura e de responsabilidade.
Heldon Menezes – “Homens inteligentes conversam sobre letras, armas e gênios”